quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

A Sátira e Seu Cavalo Equilibrista




Os Retirantes (Cândido Portinari)

Yacine - Arnaldo Antunes, Edgard Scandurra e Toumani Diabaté

Nada melhor do que o tempo passando veloz em resoluções lentas,
Galopando pelos espinhos do jardim fustigante,
Ferindo-se e esmagando à deriva e sem você, razão e atriz.

Numa proposta ou armadilha revelada de desequilíbrio sustentável,
Feito vento em busca de galhos e retalhos até impetuosa fogueira,
Incendeia a seca de um sentimento que pesa céu e terra,
Mareando horizontes orgânicos de mim.

Vivendo de acúmulo, trêmulo fruto e maduro, agora é bagagem silenciada
Que antecedentes trouxeram do futuro encharcada de suor.

Vejo-a fluir em gelo derretido dum mundo que escorre sangue e seiva
Na mata alagada e ressecada, sufocada por bilhões que hão de vir.

Então, no que resta, anseia por tribo que norteia,
Em flora que não mais semeia,
Em fauna que não só gorjeia saudade que desacata e não alivia
Da verdade que percorre caminhos de terra e sem vida.

Observada por olhos inférteis
Que se infiltram em prato de quem tem fome,
Mas não sacia (contamina), é iludida pela falsa melhoria,
Tão economicamente progressista, tão social.

Natureza modificada
Ar rarefeito, compresso desespero
Lágrima confinada ao abate.
Gota da desidratação.

Extrativismo sustentável
Alimento globalizado
Sabor da ganância
Boca de outra dimensão

E a sua natureza, por onde se transformou?
Dúvida sequencial.

AAAAAaaaaaa...AAAAAaaaaaa...AAAAAaaaaaa...
Cardiograma planetário.

(Bruno Tadeu Lopes)

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

(ar)tificial

http://imprensadobrasil.com.br/portal/?p=1024

















Refavela - Gilberto Gil

Recebo de ti, Cidade Maravilhosa, um tapa na cara diário. Quanta miséria, quanta aberração! procriadas por prédios e concretos de uma cidade futurística ou pré-histórica (não sei definir), excretada por cada esgoto em seres de sua natureza artificial, vivendo na incerteza de sua existência. E agora, do que te chamar? A maravilha já não realça seu povo, que surpreende alegria em sujeira e multidão. Pisando em calçadas de decaídos sonhadores imagino, na falta de ar, renovação.
(Bruno Tadeu Lopes)


segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Rosa dos Ventos Bravios
















The Kiss - Trevor Jones

Reabra flor!
Para desgosto do oposto, seja o mel!
Rasgue o céu, abelha, através da linha do vento.
Compreendas os segredos de teus pensamentos
E expanda ao horizonte tua embarcação.
Não fujas, mesmo em imensidão, do teu enigmático interior,
Pois o medo é vingativo,
E se não for teu abrigo e limite, tu cavarás luz em poço úmido e sombrio.
Da garganta arrancarás teu significado para que todos possam ouvir.
E então, Bóreas de Eos, seja vento e corcel bravio!
Guie por teus caminhos e, por onde te levarem,
Farás do destino teu penhasco e salvador.

(Bruno Tadeu Lopes)