quarta-feira, 23 de setembro de 2015

23 de setembro

















(Otis Redding-Stand by Me)

Eu hoje estive pensando em minha construção
Não se tornou o mais alto dos arranha-céus
Nem mesmo uma casa pau-a-pique
O que eu tenho são momentos que
Não ficaram fixos no tempo
Eu carrego minha casa
E não sei onde vou parar
Se vou conseguir chegar onde quero...
Fica mesmo difícil saber onde se quer chegar
Eu só preciso que saibam
Que seguirei até o momento
Em que cavarão minha cova
Daí me lancem na terra feito semente
Pois dele se constituirá vida
E eu ficarei grato, pois estes dias
Não terão sido em vão.

(de Bruno Tadeu Lopes aos meus 29 anos)

domingo, 10 de maio de 2015

acreditar





















(Release - Pearl Jam)

acordei em uma manhã de frio e nevoa
o corpo tem dificuldade no despertar
e a porta da rua tem muitas trancas
o destino é livre e leve feito o calor

eu vejo o futuro em um sonho antigo
eu posso subir por ele e além
mas ainda estou trancado e com frio
tentando acreditar

apesar dessa condição confinada
continua a ser uma porta
ela foi feita para libertar
e eu para acreditar em meus sonhos

(Bruno Tadeu Lopes)

domingo, 19 de abril de 2015

Provérbio da Queda Livre















(Roy Lichtenstein)


(Tearjerker - Red Hot Chili Peppers)

Em momentos de alma desgastada
Encontrar você é encontrar, em mim, uma criança.

E todos estes cálculos embaralhando nossas cabeças
Parecem simples adições somando em nossas vidas.

Nada pode assustar quem já caiu de bicicleta.
E o tempo já renasceu tantas vezes que
Minha indiferença é algo sério demais
Para não dar uma risada.

Concentrados em um cadeado,
Planos e memórias são as extremidades da corrente.
Mas nem sempre eu preciso de tanta segurança
Para acordar chorando e resolver ser feliz.

O medo espreita quem deseja viver de sonhos e,
Em queda livre de um pesadelo,
O fundo do poço é na cama,
Onde a cabeça parece esmagar o travesseiro
Com toneladas de pensamentos.

Querer tocar a mais longínqua estrela
É passar a existir na insanidade de
Querer ser mais do que deveria alcançar,
Refazendo os planos, construindo memórias,
Acelerando constantemente para onde eu sempre evitei.

Contando pegadas no rastro de formigas
O castelo é de areia e imaginação.
Você é realidade, estória de pescador,
Inverno de Vivaldi devastando minhas emoções
Que guardei, até tua vinda, ao fogo sossegado.

Agora, sinto a guerra destes ventos frios
Ao inverno que contrasta com a tua existência e calor.

Aguardando a vinda do sol de um amanhecer cartesiano,
Caminho a passo lento pelo desejo da ingênua faísca em teu olhar,
Alegria que percorre tua boca ao sorrir de uma vida que joga em nossos limites.

Acompanho todo alvorecer retornar ao ponto de partida,
Na busca dos sonhos que se camuflam na razão de tua luz matutina. 

(Bruno Tadeu Lopes)

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Amélia Barnabé


Não Chora - Móveis Coloniais de Acaju

Quando adotei uma viralatinha
Não imaginei ser tão paternal assim
Metade da noite catando pulga nela
Metade da noite catando pulga nimim
E a bichinha dormia...
Eu, as claras, senti um amor sem fim

(Bruno Tadeu Lopes 20.07.2014.)
                       


quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

A Sátira e Seu Cavalo Equilibrista




Os Retirantes (Cândido Portinari)

Yacine - Arnaldo Antunes, Edgard Scandurra e Toumani Diabaté

Nada melhor do que o tempo passando veloz em resoluções lentas,
Galopando pelos espinhos do jardim fustigante,
Ferindo-se e esmagando à deriva e sem você, razão e atriz.

Numa proposta ou armadilha revelada de desequilíbrio sustentável,
Feito vento em busca de galhos e retalhos até impetuosa fogueira,
Incendeia a seca de um sentimento que pesa céu e terra,
Mareando horizontes orgânicos de mim.

Vivendo de acúmulo, trêmulo fruto e maduro, agora é bagagem silenciada
Que antecedentes trouxeram do futuro encharcada de suor.

Vejo-a fluir em gelo derretido dum mundo que escorre sangue e seiva
Na mata alagada e ressecada, sufocada por bilhões que hão de vir.

Então, no que resta, anseia por tribo que norteia,
Em flora que não mais semeia,
Em fauna que não só gorjeia saudade que desacata e não alivia
Da verdade que percorre caminhos de terra e sem vida.

Observada por olhos inférteis
Que se infiltram em prato de quem tem fome,
Mas não sacia (contamina), é iludida pela falsa melhoria,
Tão economicamente progressista, tão social.

Natureza modificada
Ar rarefeito, compresso desespero
Lágrima confinada ao abate.
Gota da desidratação.

Extrativismo sustentável
Alimento globalizado
Sabor da ganância
Boca de outra dimensão

E a sua natureza, por onde se transformou?
Dúvida sequencial.

(Bruno Tadeu Lopes)

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Rosa dos Ventos Bravios
















The Kiss - Trevor Jones

Reabra flor!
Para desgosto do oposto, seja o mel!
Rasgue o céu, abelha, através da linha do vento.
Compreendas os segredos de teus pensamentos
E expanda ao horizonte tua embarcação.
Não fujas, mesmo em imensidão, do teu enigmático interior,
Pois o medo é vingativo,
E se não for teu abrigo e limite, tu cavarás luz em poço úmido e sombrio.
Da garganta arrancarás teu significado para que todos possam ouvir.
E então, Bóreas de Eos, seja vento e corcel bravio!
Guie por teus caminhos e, por onde te levarem,
Farás do destino teu penhasco e salvador.

(Bruno Tadeu Lopes)


sábado, 5 de novembro de 2011

Reflexo


















Arlandria - Foo Fighters

Quero ver dentro dos meus olhos
Pelo reflexo do espelho que quebrei
Para detonar essa falsa alegria
Da sorte que sorriu sem parar
O dia levantou com cara de babaca,
Acordando toda gente cortês.
Eu fui em passos canalhas,
Para além do que foi capaz o amor e sua lucidez.

Bruno Tadeu Lopes


domingo, 27 de fevereiro de 2011

Confete no céu de fevereiro


Iluminando a fantasia
O dia se inicia
Na avenida fervente
O bloco anuncia
A vida é logo à frente
Havia nisso toda folia
O sorriso abre enfeite
Batucando sua alegria
Colorido, colorido
Jogue ao ar a luz do dia
Celebrando até o fim
Quando a Quaresma anuncia
Suas cinzas convertidas
Na mudança de vida
Caindo do céu
Confetes
Nas lembranças de nossos dias

(Bruno Tadeu Lopes 14.fev.2010.)

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

escrita torta




Dessa Vez Foi Demais - Eddie

Espere, pois já traço um risco sem dor.
Não espreite, nem desabe em meu interior.
Só segure esse papel de escrita torta.
A cadeira está infestada de noites pesadas.
Esses óculos cansaram de apoiar a visão distorcida do amor.
Agora já não sei mais.
Quem é o lugar sem destino?
Qual a sobra daquilo que não começou?
Basta!
Algo vai quebrar, alguém vai se ferir, mas não importa...
Sabe quando o sol reflete forte no muro caiado?
Parece que é ele se apoderando de toda a luz e... nada mais parece existir. É um rascunho rasgado buscando se descrever além da própria imagem. E minha escrita não pode tanto, sou egoísta, teria que não ser. Aquela dor continua, certo que virão outras. E quando vier riscarei em mim a essência de minhas palavras.

Bruno Tadeu Lopes

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

diálogos perdidos na composição ermo

Hieronymus Bosch
(parte do tríptico "Jardim das Delícias Terrenas")

(Agônico - Zé Ramalho)

Seguindo em frente desembaraço meu cabelo na ventania das confusões.
Pedras são meus caminhos, pés descalços surgem carregando a dor das ilusões.
Minha boca blasfema obstáculos, salta o rio por contradições.
Caio no avesso do espelho d'água, refletindo o sol que se põe.
Sua luz é contra fluxo, me oponho às direções.
Mãos que enterram o jejum não alimentam meu perdão.
Minha fome é de pele seca e meus sonhos já não respondem, conscientes da requisição.
Para a morte não importa minha convicção sem razão.
Seus meios simulam glória ao canto dos que louvarão.
Veja loucura no peito, em braço de sufoco renegando sua perdição.
Vivendo em jardim de parto que não semeia lucidez à paixão,
Invado ausência de tranca quando o fim do caminho não basta ao olhar de um glutão.

Bruno Tadeu Lopes

sábado, 1 de janeiro de 2011

Hora de almoço




(Verde - Projeto Peixes)
para Midori Mizuno
Ao vigor destas flores que germinam no jardim de asfalto quente.
Neste frio que sinto antes de chegar ao sol.
Naquelas crianças que só brincam do outro lado da calçada
Ao som dos automóveis, acelerados motores.
Acalanto!
Aos pássaros que cantam nestes galhos secos,
Onde ficam as lembranças de um lugar que já frutificou.
Deixo aqui minha esperança fria
Ao sair e entrar
De um descanso do almoço quente.

(Bruno Tadeu Lopes – 13.08.2009)

sábado, 4 de dezembro de 2010

em algum lugar diferente


(Janis Joplin - Get It While You Can)

Paz

O estopim lança sua última centelha
A incandescência comove a visão do sofrer
As luzes de artifícios são soberanas
Sonhos sem segredo vão discursar
Os sons disparados já causam alívio
Almas blindadas, impossíveis de ferir
Flâmula dançante no topo da paz
Vidas e esperanças sucedem o fim

Expectativas

Insisto em ver a chuva cair
Janelas de crianças
Não há infância
Um tiro cruzou o ar
Meu peito disparou
Conformado mendigo
Dorme, dorme berço da rua
Cegueira sem dono
Automóveis de ninguém para seguir viagem
Na vida que não entendem
Preferem não sonhar
Os meus passos saem de órbita ou será o noticiário?
Os olhos que eram azuis agora escurecem meu olhar.
Será ainda possível compreender discursos fora do palco armado?

(Bruno Tadeu Lopes)

sábado, 16 de outubro de 2010

Agora Nunca Se Sabe


para Natália Bayeh
Agora nunca se sabe se o final está onde almeja minha visão.
Na profundeza desses olhos caio sem pudor em imensidão.
E se a verdade sai rasgando o céu, devastador é meu punhal.
Não enraízo em solo fértil palavras volúveis em meio ao vendaval.
Olho ao redor , sofro ausência e passagem,
Cá pra dentro sangue que transborda displicente a sua vontade.
(Bruno Tadeu Lopes)


(Xeque Mate - Canastra)

sábado, 28 de agosto de 2010

Solidão


Ah, existência desse dia que me arranca cá de dentro essa agonia. Que me expõem ao sofrimento de uma noite fria na solidão maldita. Longe de ti, onde os pensamentos me espantam a alegria, imagino sua presença, seu perfume enlaçando nossos braços, encontrando nossa harmonia. Por que tão sozinho me quis esse dia? Tempo, sopre para longe minha tristeza e faça girar a bailarina.
(Bruno Tadeu Lopes)

(Salto No Vácuo Com Joelhada - Curumin)

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Falsos Cometas


(Black - Pearl Jam (aovivo2005apoteoseRJ)

(para Inaiara Peixoto)
Hoje é como se o dia clareasse só para mim e me fizesse ver o tanto que a fiz sofrer.
Tudo foi tão breve que... não tive tempo de enxugar as lágrimas que você derramou, imaginando como seria se fossem todos estes falsos cometas transformados em um mundo, mobiliado para nós dois. Você queria me acolher, mas no momento teu sonho tornara-se inalcançável, como a sombra do teu rosto para mim.

Bruno Tadeu Lopes (2005)
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É sempre nos teus cantos sonoros
Que eu bebo inspiração.
(...)
Donzela, esta vida
Se eu tanto pudera,
Quisera
Te dar;
Se um beijo eu pudesse
Ardente e fugace
Na face
Pousar.

Machado de Assis
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ilustração: Kelzinha Sharamor no Gartic

sexta-feira, 16 de julho de 2010

And I Love Her


Será que você nunca será capaz de acreditar na incerteza que sempre haverá diante dos nossos olhos? Ah, vida que me divide sempre em dois pontos! Fossem mil acasos não seriam tão intensos feito o brilho do seu olhar iluminando outra vida que não a minha.
Ainda assim removo correntes insustentáveis e sonho com você, sem pensar para onde devo guiar meus delírios, fugindo o risco de perdê-la em meus afagos. Certamente parece não ligar que seja pretensiosa esta inclinação escorrendo continuamente por trás de tantas palavras confusas, resplandecendo em pele fresca limites desmedidos sem eu mais poder negar o que nunca lhe disse pela insegurança de amar tanto.

(Bruno Tadeu Lopes)
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(And I Love Her - The Beatles)
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terça-feira, 13 de julho de 2010

Por Onde Não Se Vê


Por trás dos meus passos a poeira escondeu o que você falou.
Eu abro meus braços e me rasgo, pétala por pétala feito flor.
Um acontecimento não é o meu exato, não foi como você imaginou.
Não vá mergulhar em teus sonhos fotográficos e queimar tudo depois.
Ao conversar apague a luz e veja que a mágoa não se dissolve onde há dor.
O tempo nem sempre é passado, bloqueie o retorno onde você me encontrou.
Não são contos de fada, não faz mais sentido palavras descobertas no frio do amor.

(Bruno Tadeu Lopes)
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(Boston - Augustana)

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Foto: Antônio Husadel
Modelo:
Patrícia Monteiro
Revista Nua

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Grito













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O giro mundo.
Gira, é carrossel.
Gira, dia, a vida.
Vida que adia dias.
Vadia a pé de carnaval
O que resta do calçado
Que cansa o mancebo
A dançar, envolto, fosco véu.
Exausta a esperança, arranca a lança,
Acerta as lembranças de cegas horas;
Em horizontes donde corro,
E canto, e gira, espiral,
Livre meu poder!
Não pára num palco,
Num ato de parto, de dores
Da prenha luz que reproduz
Induzindo as sendas em rimas finas
Ou que desafina nas verdades que são minhas
E só minhas eu sei dizer.
Grita, grita!...
Grita porque perde-se o resto
Que se decompõe da questão.
Eu não quero ter, então gira,
Que o resto é feto.
E o sol continua parado,
Ardendo sem prazer.
Gira lua e brilha a custa do astro rei,
Da noite que é dia e goza da vida
A cada segundo que gira
O jogo que é ser.

(Bruno Tadeu Lopes)

segunda-feira, 8 de março de 2010

UM GRITO BRASILEIRO


I GRITO

Ouviram um grito de socorro em um país abalado.
Da classe trabalhadora, quase escrava.
Quando sai de seus barracos o sol não nasce.
Quem disse que há liberdade?
Ó Pátria amada!

O penhor dessa igualdade já foi desfeito.
São só papeis passados, arquivados.
Desafiamos o nosso peito a própria morte.
Só há linha de tiro
Em teu seio seco, ó Liberdade!

Brasil, tu és o meu páis, um sonho intenso.
Não morres, pois a esperança é o que nos resta.

Gigante pela própria natureza devastada.
És desumano, de crimes impunes
E pelo desequilíbrio ambiental mancomunada.
E o teu futuro espelha esse desrespeito.

Entre outras mil,
És em tu,Brasil
Essa desgraça.

Dos filhos deste asfalto esburacado,
Ainda és amada minha Pátria,
Brasil?

II GRITO

Deitado eternamente nesse convênio.
Acordos entre o tráfico armado e a doença viciada.
Diga-me, florão da América, sinceramente.
Este é o Novo Mundo de que tanto falava?

Dó da terra que ao lixo garimpa.
Em teus lixões revela-se mais pobreza.
famílias inteiras dependendo de nossos desejetos
Em campos que não germinam mais flores.
Nossos bosques mendigos abrigam.
Crianças crescendo cedo sem mais amores.

Ó Pátria desrespeitada!
Políticos comprando votos por cesta básica.
Comunidades esperando bondade alheia dissimulando serem atadas.
Quem sabe um dia alguém nos salve,
Salve! Salve!

Proteja-se da justiça cega e armada.
Indolente ao povo que lhe quer bem desejada

Que esta imagem para nossos meninos não seja mais símbolo.
O lábaro que ostenta tantos pecados,
e diga a esta mistura de raças, tão linda
_ Paz no futuro, erros no passado

Entre outras mil,
És em tu, Brasil
Essa desgraça.

Dos filhos deste asfalto esburacado,
Ainda és amada minha Pátria,
Brasil?

(Bruno Tadeu Lopes - 09 de janeiro de 2008.)

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Fenda Flor


És verdadeiro lirismo.
Abertura breve e sacra,
Delicada ou exacerbada,
Que marca e rasga a vida
Donde o beijo és su face,
Duma flor que tu és arte.
E o gabo não lastima
O caliente abrigo
Num útero maniqueísta.
Água calma e destemida,
Assim percorre a vida.
Dentre rocha sua destreza,
Dentre fendas não há beleza.
Desatino com impureza
Da flor que goza sua nobreza
Na certeza do caminho de candura
Que brinda o vinho
Esperando seu desfecho incumbido de chegar.
Outrora já é fato, elegância não é arte,
A vida só não é bela quem dela não soube aproveitar.

(Bruno Tadeu Lopes-26.11.2005)