terça-feira, 22 de junho de 2010

De Natura Tododia Verão até O Inverno. Passando por Arnaldo Antunes de encontro a Vivalde e suas Le quattro Stagioni



Uma compilação de leituras e conhecimentos. Fontes ao final da postagem.

Desde dezembro passado fiquei maravilhado com as propagandas da linha Natura Tododia Verão e vinha querendo postar sobre aqui no Fenda Flor, coisa que não aconteceu. Ontem, dia 21 de junho, começou o inverno aqui no Brasil e a natura lançou seus novos produtos para a estação seguindo a linha Tododia Inverno. Na linha Verão a propaganda vinha com um texto em forma de poesia concreta de Arnaldo Antunes, já na linha Inverno a narração segue a métrica de poesia que marcou as campanhas anteriores e as imagens são embaladas por uma releitura (puro rock’n roll) do trecho Inverno, das Quatro Estações de Vivaldi. Caramba, eu adoro Arnaldo Antunes e adoro Antonio Vivaldi, logo adoro esses comerciais. Foram muito bem bolados. E agora vou compartilhar com vocês tanto a postagem do Verão quanto a do Inverno, passando por Arnaldo Antunes até Antonio Vivaldi.

Natura Tododia Verão
O comercial remete ao cotidiano rotineiro de se sentir bem ao se cuidar.
Ali se notava o Bem Estar Bem sugerido no slogan da Natura.
Entre os elementos que compõe o filme, a sonoridade do texto criado por Arnaldo Antunes(Arnaldo Augusto Nora Antunes Filho, 1960, poeta, escritor e compositor brasileiro)é singular.
A função poética clara do texto em forma de poesia concreta, que escorre pela tela e forma as sugestões de o que pode ser a tal rotina sugerida pela Natura, tornando mais concreto que a própria fantasia, o conceito de Dionisíaco desta análise. . Dessa forma, todo inicio é precedido por uma escolha, todo espelho remete a uma lembrança de tempos que passaram, toda dança é liberdade de expressão como o rock e assim segue, onde toda sensação de bem estar Natura, e uma quer estar ligado a outra numa subjetividade escondida em nosso próprio entendimento.
Ainda que surreal demais, não se pode limitar os sinais midiáticos a irrelevância de compreensão, uma vez que uma chuva de letras transcorre ao frescor sugerido, ao prazer do bem estar. É surreal justamente acreditar nessa chuva de palavras e, através disso, fixar o conceito de uma marca, e remeter o receptor desta mensagem a este frescor, a esta sensação de bem estar que um banho nos proporciona.
Nosso universo particular vale mais que palavras na imagem do espelho.
“A rotina do espelho é o oposto” é a primeira frase sem texto na tela, apenas narrada.
Sentir-se bem, é sentir-se como a modelo, que se olha no espelho e percebe uma beleza enaltecida pelo momento, ainda que se trate apenas de uma rotina, como sugere a propaganda.
“A rotina da pele é o arrepio”
Com certeza a frase que mais chama atenção no comercial. A imagem remete, no ato, a sensação que todos já experimentamos. Sua simples exposição nos remete ao fenômeno que a pele proporciona, por vezes num simples declínio de temperatura, e que aqui tem justamente essa função, nos levar ao momento pós- banho, de conforto e de liberdade.
A palavra desejo é, de certa forma, o pecado em forma de som.
Sentir-se bem é sentir-se desejado, é desejar com propriedade de quem pode e consegue, é querer, é conseguir... Desejar é sublime, é imortal.
A alegria nas curvas de um gesto mexe com a libido e transposta às pessoas para outro local que não um banheiro, mas sim o que o espera após essa rotina.
“Toda rotina tem sua beleza” O slogan que concretiza pensamentos de 30 segundos.
A idéia era mostrar que um simples banho pode ser especial se assim você o ver, o sentir, o aproveitar.

A alegria é a rotina do verão A ousadia é a rotina da invenção A brisa é a rotina da carícia A rotina da água é a delícia O encontro é a rotina da esquina A rotina dos olhos é a menina A sensação é a rotina do calor A rotina do corpo é o frescor A rima é a rotina da poesia A rotina da folga é o meio-dia A liberdade é a rotina de ser A rotina dos sentidos é o prazer


A idéia é a rotina do papel O céu é a rotina do edifício O início é a rotina do final A escolha é a rotina do gosto A rotina do espelho é o oposto A rotina do jornal é o fato A celebridade é a rotina do boato A rotina da mão é o toque A rotina da garganta é rock O coração é rotina da batida A rotina do equilíbrio é a medida O vento é a rotina do assobio A rotina da pele é o arrepio A rotina do perfume é a lembrança O pé é a rotina da dança Julieta é a rotina do queijo A rotina da boca é o desejo A rotina do caminho é a direção A rotina do destino é a certeza Toda rotina tem sua beleza

Vídeo Versão 2 Natura Tododia, onde muda uma cena em "A rotina da mão é o toque A rotina da garganta é rock".

Agência: Taterka Comunicações S/A
Trilha Sonora: Banda Sonora
Texto: Arnaldo Antunes
Locutor: Paulo Leite

Natura Tododia Inverno
Transformar a rotina dos dias frios, incluindo rituais de hidratação e bem-estar durante e após o banho. É com esse mote que a campanha da linha Tododia Inverno, da Natura, estreou com um filme de 30” no intervalo do Fantástico. Criada pela Taterka, a comunicação que tem como título “Vire a rotina do inverno do avesso” revela que essa estação também pode ser agradável para cuidar da pele.
“Descubra a poesia na sua rotina”, “toda a comunicação da linha imprime um novo significado para a palavra rotina”, afirma Eduardo Simon, Sócio e Diretor de Atendimento da Taterka.
A comunicação publicitária assinada pela Taterka traz filme com uma releitura do trecho Inverno, das Quatro Estações de Vivaldi, além de anúncios de mídia impressa.
As peças serão veiculadas nas regiões Sul, Sudeste e no Distrito Federal. A campanha também estará em canais de TV paga.

Não se cubra, descubra Não embace, desembarace Não encolha, se atire Não se feche, arrepie Não gele, incendeie Não amarele, avermelhe Não trema, estremeça

Agência: Taterka Comunicações S.A.
Direção de Criação: Marcelo Lucato
Diretor: Rodrigo Lewcovickz
Fotógrafo: Marcelo Durst
Montagem: Wilson Fernandes
Finalização: TVC - Ricardo Nimtz/Thiago Siebra
Trilha Sonora: Banda Sonora
Produção: Equipe Banda Sonora


Antonio Lucio Vivaldi (1678-1741) Le quattro Stagioni



A principal característica da obra de Antonio Vivaldi é a sua própria personalidade: uma agitação, um furor, uma ânsia de compor raramente igualada em toda a história da música.
Sua obra-prima, certamente, é Le quattro stagioni (As quatro estações), composta por quatro concertos, cada um representando uma temporada. Cada um é feito em três movimentos, com um movimento lento entre dois rápidos. Foi publicada em Amsterdã em 1725, fazendo parte e abrindo uma série de 12 concertos, intitulados Il Cimento dell'Armonia e dell'Invenzione (O diálogo entre a harmonia e a criatividade). Nessa série, se acentua a tendência ao sentido pitoresco que resulta na tentativa de se expressar, musicalmente, fenômenos da natureza ou sentimentos, como a primavera, o verão, o outono e o inverno retratados em As quatro estações. Um testamento do admirável teor de técnica intelectual e fantasia criativa de Vivaldi. Ele teve a precaução de prefaciar cada peça com um soneto descrevendo cada estação, e depois marcou os momentos apropriados correspondendo às palavras em cada concerto. O canto dos pássaros é descrito por alegres trinadinhos, o tremulo do violino marcando a aproximação do trovão, pizzicati descrevendo as gotas de chuva caindo.
“As Quatro Estações” é, acima de tudo, a celebração das múltiplas impressões de cada indivíduo ou coletivas das mudanças de estações, inspirando a evocação do universo inteiro de emoções associadas a elas e às transições climáticas e ontológicas envolvidas.
Na peça O Inverno, ele representa o rigoroso inverno do norte da Itália.
Vivaldi estava bastante consciente de sua inspiração e procurou descrever em música, o que ele pensava ser o frio arrepio na madrugada escura de um vento cruel. Descreve primeiro o frio e o batear de dentes, depois momentos calmos junto ao fogo e, enfim, a alegria temerária de deslizar no gelo quebradiço e ouvir o assobio dos ventos invernais.

L'inverno

Aggiacciato tremar trà nevi algenti
Al Severo Spirar d'orrido Vento,
Correr battendo i piedi ogni momento;
E pel Soverchio gel batter i denti;

Passar al foco i di quieti e contenti
Mentre la pioggio fuor bagna ben cento;
Caminar Sopra'l giaccio, e à passo lento
Per timor di cader gersene intenti;

Gir forte Sdruzziolar, cader à terra,
Di nuovo ir Sopra 'l giaccio e correr forte
Sin ch'il giaccio Si rompe, e Si disserra;

Sentir uscir dalle ferrate porte
Sirocco, Borea, e tutti i Venti in guerra
Quest'è 'l verno, mà tal, che gioja apporte.

O Inverno

Agitado tremor traz a neve argêntea;
Ao rigoroso expirar do severo vento
Corre-se batendo os pés a todo momento
Bate-se os dentes pelo excessivo frio.

Ficar ao fogo quieto e contente
Enquanto fora a chuva a tudo banha;
Caminhar sobre o gelo com passo lento
Pelo temor de cair neste intento.

Girar forte e escorregar e cair à terra;
De novo ir sobre o gelo e correr com vigor
Sem que ele se rompa ou quebre.

Sentir ao sair pela ferrada porta,
Siroco, Borea e todos os ventos em guerra;
Que este é o Inverno, mas tal, que [só] alegria porta.


•Concerto No. 1 in E major, "La primavera" (Spring), RV 269.
•Concerto No. 2 in G minor, "L'estate" (Summer), RV 315.
•Concerto No. 3 in F major, "L'autunno" (Autumn), RV 293.
•Concerto No. 4 in F minor, "L'inverno" (Winter), RV 297.
•Concerto No. 5 in E-flat major, "La tempesta di mare" (The Sea Storm), RV 253.
•Concerto No. 6 in C major, "Il piacere" (Pleasure), RV 180.
•Concerto No. 7 in D minor, RV 242.
•Concerto No. 8 in G minor, RV 332.
•Concerto No. 9 in D minor, RV 236.
•Concerto No. 10 in B-flat major, "La caccia" (The Hunt), RV 362.
•Concerto No. 11 in D major, RV 210.
•Concerto No. 12 in C major, RV 178.

Concerto:
Um concerto é uma composição musical caracterizada por ter um ou mais de um instrumento solista com acompanhamento de um grupo maior, sobre o qual o solista se destaca. Originalmente, era uma forma com base em três movimentos, sendo o primeiro lento, o segundo de andamento moderado e o terceiro rápido. A forma de concerto mais difundida foi estabelecida por Antonio Vivaldi.
Opus:
É uma expressão do latim para designar trabalho (obra). O plural é opera. Com um número, na música, geralmente numerado pela ordem de publicação da obra.

Fonte:

http://www.portaldapropaganda.com.br/portal/component/content/article/16-capa/15724-natura-traz-o-prazer-da-rotina-em-campanha-da-linha-tododia-verao.html

http://www.portaldapropaganda.com.br/portal/component/content/article/16-capa/19239-campanha-da-natura-para-linha-tododia-inverno-sugere-virar-a-rotina-do-avesso.html

http://www.scribd.com/doc/21276366/O-CONCEITO-DE-MARCA-COMO-ESTRATEGIA-DE-MARKETING

http://www.scribd.com/doc/467721/Os-concertos-de-Vivaldi

http://estacoesmimesis.blogspot.com/2008/11/os-sonetos-de-vivaldi.html

http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=925

http://www.sonetos.com.br/vivaldi.php

http://www.baroquemusic.org/vivaldiseasons.html

http://www.arnaldoantunes.com.br/

http://scf.natura.net/tododia

http://inkpot.com/

http://www.youtube.com/user/naturabemestarbem

http://www.youtube.com/user/CanalTaterka

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Mundo ficou 'mais burro e cego'


José Saramago na cidade espanhola de Lanzarote, nas Ilhas Canárias, em 1996, pelas lentes do fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado-veja mais no G1)

Escritor português, um dos maiores nomes da literatura contemporânea, vencedor do prêmio Camões(a mais importante condecoração da língua portuguesa) em 1995 e do prêmio Nobel de Literatura em 1998 , José Saramago morre aos 87 anos em sua casa, nas Ilhas Canárias em 18 de junho de 2010, sexta-feira.

O cineasta brasileiro Fernando Meirelles que filmou adaptação de 'Ensaio sobre a cegueira', livro de Saramago, diz que “Mundo ficou ‘mais burro e cego’”
"[Ele] dizia que a morte é simplesmente a diferença entre o estar aqui e já não mais estar. Combatia as religiões com fúria, dizia que elas nos embaçam nossa visão", diz o cineasta. Leia mais no portal do g1 da globo.com

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Grito


O giro mundo.
Gira, é carrossel.
Gira, dia, a vida.
Vida que adia dias.
Vadia a pé de carnaval
O que resta do calçado
Que cansa o mancebo
A dançar, envolto, fosco véu.
Exausta a esperança, arranca a lança,
Acerta as lembranças de cegas horas;
Em horizontes donde corro,
E canto, e gira, espiral,
Livre meu poder!
Não pára num palco,
Num ato de parto, de dores
Da prenha luz que reproduz
Induzindo as sendas em rimas finas
Ou que desafina nas verdades que são minhas
E só minhas eu sei dizer.
Grita, grita!...
Grita porque perde-se o resto
Que se decompõe da questão.
Eu não quero ter, então gira,
Que o resto é feto.
E o sol continua parado,
Ardendo sem prazer.
Gira lua e brilha a custa do astro rei,
Da noite que é dia e goza da vida
A cada segundo que gira
O jogo que é ser.

(Bruno Tadeu Lopes)