quinta-feira, 23 de abril de 2015

Aos Saqueadores da Verdade




















(Schoolmaster - René Magritte)


Soldados (Renato Russo/Marcelo Bonfá) / Músicas incidentais: "Blues da Piedade” (Cazuza/Frejat); “Faz Parte do Meu Show” (Cazuza/Renato Ladeira); “Nascente” (Flávio Venturini/Murilo Antunes)

Você consegue entender as coisas que eu penso?
Minha voz não me pertence em tua mente.
Depois que minha escrita findar vamos rasgar estes papeis conservadores.

Agora as palavras que eu cuspo por aí fazem algum sentindo?
Sabe de uma coisa? O sentido não é este mesmo.
Os dinossauros são transeuntes em meu diálogo
Extintos por folheados livros, parecem tentar me esmagar.
O ego destes, de eras remotas, pesa feito pesadelos bíblicos.

Esta terra, berço de uma vida perpendicular, não merece ser envenenada.
Você tem a cura?

Ouço uma guerra feita pelos discursos de paz.
Você não percebe?! Mas está comigo neste campo de batalha!
Qual o teu lado?
É realmente preciso escolher um dos lados errados?
Eu tenho medo de confiar, estou adoecendo.
Ainda posso confiar em você?

Para lutar pelo bem comum devemos acreditar no que vemos,
Mas não espere ser recompensado por menos que um golpe baixo.
Parece não fazer sentido continuar tentando.
Eu não vou me defender,
Estarei preparado para os saqueadores da minha verdade.

(Bruno Tadeu Lopes)

domingo, 19 de abril de 2015

Provérbio da Queda Livre

(Roy Lichtenstein)


(Tearjerker - Red Hot Chili Peppers)

Em momentos de alma desgastada
Encontrar você é encontrar, em mim, uma criança.

E todos estes cálculos embaralhando nossas cabeças
Parecem simples adições somando em nossas vidas.

Nada pode assustar quem já caiu de bicicleta.
E o tempo já renasceu tantas vezes que
Minha indiferença é algo sério demais
Para não dar uma risada.

Concentrados em um cadeado,
Planos e memórias são as extremidades da corrente.
Mas nem sempre eu preciso de tanta segurança
Para acordar chorando e resolver ser feliz.

O medo espreita quem deseja viver de sonhos e,
Em queda livre de um pesadelo,
O fundo do poço é na cama,
Onde a cabeça parece esmagar o travesseiro
Com toneladas de pensamentos.

Querer tocar a mais longínqua estrela
É passar a existir na insanidade de
Querer ser mais do que deveria alcançar,
Refazendo os planos, construindo memórias,
Acelerando constantemente para onde eu sempre evitei.

Contando pegadas no rastro de formigas
O castelo é de areia e imaginação.
Você é realidade, estória de pescador,
Inverno de Vivaldi devastando minhas emoções
Que guardei, até tua vinda, ao fogo sossegado.

Agora, sinto a guerra destes ventos frios
Ao inverno que contrasta com a tua existência e calor.

Aguardando a vinda do sol de um amanhecer cartesiano,
Caminho a passo lento pelo desejo da ingênua faísca em teu olhar,
Alegria que percorre tua boca ao sorrir de uma vida que joga em nossos limites.

Acompanho todo alvorecer retornar ao ponto de partida,
Na busca dos sonhos que se camuflam na razão de tua luz matutina. 

(Bruno Tadeu Lopes)