quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

A Sátira e Seu Cavalo Equilibrista




Os Retirantes (Cândido Portinari)

Yacine - Arnaldo Antunes, Edgard Scandurra e Toumani Diabaté

Nada melhor do que o tempo passando veloz em resoluções lentas,
Galopando pelos espinhos do jardim fustigante,
Ferindo-se e esmagando à deriva e sem você, razão e atriz.

Numa proposta ou armadilha revelada de desequilíbrio sustentável,
Feito vento em busca de galhos e retalhos até impetuosa fogueira,
Incendeia a seca de um sentimento que pesa céu e terra,
Mareando horizontes orgânicos de mim.

Vivendo de acúmulo, trêmulo fruto e maduro, agora é bagagem silenciada
Que antecedentes trouxeram do futuro encharcada de suor.

Vejo-a fluir em gelo derretido dum mundo que escorre sangue e seiva
Na mata alagada e ressecada, sufocada por bilhões que hão de vir.

Então, no que resta, anseia por tribo que norteia,
Em flora que não mais semeia,
Em fauna que não só gorjeia saudade que desacata e não alivia
Da verdade que percorre caminhos de terra e sem vida.

Observada por olhos inférteis
Que se infiltram em prato de quem tem fome,
Mas não sacia (contamina), é iludida pela falsa melhoria,
Tão economicamente progressista, tão social.

Natureza modificada
Ar rarefeito, compresso desespero
Lágrima confinada ao abate.
Gota da desidratação.

Extrativismo sustentável
Alimento globalizado
Sabor da ganância
Boca de outra dimensão

E a sua natureza, por onde se transformou?
Dúvida sequencial.

AAAAAaaaaaa...AAAAAaaaaaa...AAAAAaaaaaa...
Cardiograma planetário.

(Bruno Tadeu Lopes)