quinta-feira, 11 de outubro de 2012

(ar)tificial

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Refavela - Gilberto Gil

Recebo de ti, Cidade Maravilhosa, um tapa na cara diário. Quanta miséria, quanta aberração! procriadas por prédios e concretos de uma cidade futurística ou pré-histórica (não sei definir), excretada por cada esgoto em seres de sua natureza artificial, vivendo na incerteza de sua existência. E agora, do que te chamar? A maravilha já não realça seu povo, que surpreende alegria em sujeira e multidão. Pisando em calçadas de decaídos sonhadores imagino, na falta de ar, renovação.
(Bruno Tadeu Lopes)


4 comentários :

Eliane Accioly disse...

A frase de Clarice que você publicou, "com o que não sei é que compreenderia tudo", me acompanha!
Grande abraço!

Bruno Tadeu Lopes disse...

Sinto o mesmo.
Abraço, Eliane!

Natália Bayeh disse...

Me lembro da primeira vez que fui ao Rio de Janeiro, vendo as paisagens da janela do ônibus tentando captar tudo com minha câmera , quando notei uma cena recorrente; uma quantidade muito grande de moradores de rua, pelo que me lembro foi uma das maiores crises de cataplexia que tive, durou cerca de 20 minutos e eu não consegui mover um músculo. Me senti bem por ter tal reação, ao menos algum efeito, a pobreza surtia na minha pessoa.

Bruno Tadeu Lopes disse...

Eu tinha dúvida se quem vem visitar o Rio consegue ver e sentir o que sinto quando vou ao centro da cidade do Rio de Janeiro para estudar e tenho aquele imenso impacto, mesmo o cenário já fazendo parte da minha rotina. Em você sempre vejo algo muito especial, algo que é verdadeiro e forte, feito suas palavras. Você não isola seu corpo do que te cerca, nem ilude o que sente, por isso sei que vou escutar suas palavras cada vez falarem com mais força.

Obrigado por me contar, Natália.
Gosto cada vez mais de você.