segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

diálogos perdidos na composição ermo




(Agônico - Zé Ramalho)

Seguindo em frente desembaraço meu cabelo na ventania das confusões.
Pedras são meus caminhos, pés descalços surgem carregando a dor das ilusões.
Minha boca blasfema obstáculos, salta o rio por contradições.
Caio no avesso do espelho d'água, refletindo o sol que se põe.
Sua luz é contra fluxo, me oponho às direções.
Mãos que enterram o jejum não alimentam meu perdão.
Minha fome é de pele seca e meus sonhos já não respondem, conscientes da requisição.
Para a morte não importa minha convicção sem razão.
Seus meios simulam glória ao canto dos que louvarão.
Veja loucura no peito, em braço de sufoco renegando sua perdição.
Vivendo em jardim de parto que não semeia lucidez à paixão,
Invado ausência de tranca quando o fim do caminho não basta ao olhar de um glutão.

Texto: Bruno Tadeu Lopes
Música: Zé Ramalho
Pintura: Hieronymus Bosch (parte do tríptico "Jardim das Delícias Terrenas")

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