terça-feira, 18 de janeiro de 2011

escrita torta




Dessa Vez Foi Demais - Eddie

Espere, pois já traço um risco sem dor.
Não fique vendo, meu público é íntimo em meu interior.
Só me diga uma palavra que salve, e segure esse papel de escrita torta.
A cadeira está infestada de noites pesadas.
Esses óculos cansaram de apoiar a visão distorcida do amor.
Agora já não sei mais...
Quem é o lugar sem destino?
Qual a sobra daquilo que não começou?
Basta!
Algo vai falar, alguém vai sentir, mas não importa... ou sim?
É de cá, não é estranho.
Sabe quando o sol reflete forte no muro caiado?
Parece que é ele se apoderando de toda a luz e... nada mais parece fazer se compreender. É tudo em meio do nada. É uma identificação que quebra o espelho para refletir além da própria imagem. Minha escrita não pode tanto quanto, sou egoísta, teria que não ser. Sabe aquela dor? Já não existe mais. Certo que virão outras. E quando chegar olharei para o muro e riscarei em papel as letras tortas, por ser assim, eu, essência de minhas palavras.

Bruno Tadeu Lopes

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

diálogos perdidos na composição ermo




(Agônico - Zé Ramalho)

Seguindo em frente desembaraço meu cabelo na ventania das confusões.
Pedras são meus caminhos, pés descalços surgem carregando a dor das ilusões.
Minha boca blasfema obstáculos, salta o rio por contradições.
Caio no avesso do espelho d'água, refletindo o sol que se põe.
Sua luz é contra fluxo, me oponho às direções.
Mãos que enterram o jejum não alimentam meu perdão.
Minha fome é de pele seca e meus sonhos já não respondem, conscientes da requisição.
Para a morte não importa minha convicção sem razão.
Seus meios simulam glória ao canto dos que louvarão.
Veja loucura no peito, em braço de sufoco renegando sua perdição.
Vivendo em jardim de parto que não semeia lucidez à paixão,
Invado ausência de tranca quando o fim do caminho não basta ao olhar de um glutão.

Texto: Bruno Tadeu Lopes
Música: Zé Ramalho
Pintura: Hieronymus Bosch (parte do tríptico "Jardim das Delícias Terrenas")

sábado, 1 de janeiro de 2011

Hora de almoço




(Verde - Projeto Peixes)
para Midori Mizuno
Ao vigor destas flores que germinam no jardim de asfalto quente.
Neste frio que sinto antes de chegar ao sol.
Naquelas crianças que só brincam do outro lado da calçada
Ao som dos automóveis, acelerados motores.
Acalanto!
Aos pássaros que cantam nestes galhos secos,
Onde ficam as lembranças de um lugar que já frutificou.
Deixo aqui minha esperança fria
Ao sair e entrar
De um descanso do almoço quente.

(Bruno Tadeu Lopes – 13.08.2009)