sábado, 5 de novembro de 2011

para dentro dos seus olhos


















Arlandria - Foo Fighters

Quero ver dentro dos meus olhos
Pelo reflexo do espelho que quebrei
Para detonar essa falsa alegria
Da sorte que sorriu sem parar
O dia levantou com cara de babaca,
Acordando toda gente cortês.
Eu fui em passos canalhas,
Para além do que foi capaz o amor e sua lucidez.

Bruno Tadeu Lopes


sexta-feira, 8 de abril de 2011

Para Casar (solidão é uma vida de paixões ardentes)




Everlong - Foo Fighters

Não são os matrimônios religiosos
Nem mesmo a necessidade de jurar a lei dos homens em cartório.
É essa paixão ardente e desapegada pela vida que me consome diariamente.
O descontrole dessa necessidade de amar.

Bruno Tadeu Lopes


domingo, 3 de abril de 2011

Flor de Mururé



para Rafaela Palmeira,
que na distância da vida
me ensina o oposto


(Creep-Radiohead)

Na vontade de seguir, a distância.
Mas por um instante apreciou a eternidade.
Na expansão da simplicidade fez possível sorrir.
O que é de mais lindo na natureza mergulhou em teus sonhos,
Revelando a verdade flutuante de um rio.
Na margem de sua face contemplo a flor
Que desejando a vida encontrou na distância
A vontade de seguir.

(Bruno Tadeu Lopes)

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Confete no céu de fevereiro


Iluminando a fantasia
O dia se inicia
Na avenida fervente
O bloco anuncia
A vida é logo à frente
Havia nisso toda folia
O sorriso abre enfeite
Batucando sua alegria
Colorido, colorido
Jogue ao ar a luz do dia
Celebrando até o fim
Quando a Quaresma anuncia
Suas cinzas convertidas
Na mudança de vida
Caindo do céu
Confetes
Nas lembranças de nossos dias

(Bruno Tadeu Lopes 14.fev.2010.)

abrindo-se em caminhos remendados

A seqüência é vivida.
Poderíamos interrompê-la.
Não existe retorno nem remendo.
E no final da corda seu laço não enforca nem condena.
É este o breu em que podemos enxergar.
E a tristeza só existe porque assim sentimos.
A felicidade,
Ah, a felicidade...
É feliz que nem sente.


(Help! - Caetano Veloso (The Beatles) )

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

escrita torta




Dessa Vez Foi Demais - Eddie

Espere, pois já traço um risco sem dor.
Não fique vendo, meu público é íntimo em meu interior.
Só me diga uma palavra que salve, e segure esse papel de escrita torta.
A cadeira está infestada de noites pesadas.
Esses óculos cansaram de apoiar a visão distorcida do amor.
Agora já não sei mais...
Quem é o lugar sem destino?
Qual a sobra daquilo que não começou?
Basta!
Algo vai falar, alguém vai sentir, mas não importa... ou sim?
É de cá, não é estranho.
Sabe quando o sol reflete forte no muro caiado?
Parece que é ele se apoderando de toda a luz e... nada mais parece fazer se compreender. É tudo em meio do nada. É uma identificação que quebra o espelho para refletir além da própria imagem. Minha escrita não pode tanto quanto, sou egoísta, teria que não ser. Sabe aquela dor? Já não existe mais. Certo que virão outras. E quando chegar olharei para o muro e riscarei em papel as letras tortas, por ser assim, eu, essência de minhas palavras.

Bruno Tadeu Lopes

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

diálogos perdidos na composição ermo




(Agônico - Zé Ramalho)

Seguindo em frente desembaraço meu cabelo na ventania das confusões.
Pedras são meus caminhos, pés descalços surgem carregando a dor das ilusões.
Minha boca blasfema obstáculos, salta o rio por contradições.
Caio no avesso do espelho d'água, refletindo o sol que se põe.
Sua luz é contra fluxo, me oponho às direções.
Mãos que enterram o jejum não alimentam meu perdão.
Minha fome é de pele seca e meus sonhos já não respondem, conscientes da requisição.
Para a morte não importa minha convicção sem razão.
Seus meios simulam glória ao canto dos que louvarão.
Veja loucura no peito, em braço de sufoco renegando sua perdição.
Vivendo em jardim de parto que não semeia lucidez à paixão,
Invado ausência de tranca quando o fim do caminho não basta ao olhar de um glutão.

Texto: Bruno Tadeu Lopes
Música: Zé Ramalho
Pintura: Hieronymus Bosch (parte do tríptico "Jardim das Delícias Terrenas")

sábado, 1 de janeiro de 2011

Hora de almoço




(Verde - Projeto Peixes)
para Midori Mizuno
Ao vigor destas flores que germinam no jardim de asfalto quente.
Neste frio que sinto antes de chegar ao sol.
Naquelas crianças que só brincam do outro lado da calçada
Ao som dos automóveis, acelerados motores.
Acalanto!
Aos pássaros que cantam nestes galhos secos,
Onde ficam as lembranças de um lugar que já frutificou.
Deixo aqui minha esperança fria
Ao sair e entrar
De um descanso do almoço quente.

(Bruno Tadeu Lopes – 13.08.2009)