sexta-feira, 26 de março de 2010

SONHOS D’ALVORECER


A cada passo que dou aumenta a espiral.
A cada pensamento se abre um sentimento.
Ao argumento a dúvida que te corrompe.
Se eu quero voar não me basta abrir os braços.
Em um gesto singelo eu quero pairar.
Amor é a vista aqui do alto.
O sol no horizonte que parece esfriar,
no céu já aquece corações.
As pétalas de rosa aqui são mais leves.
O azul do firmamento já perde sua tristeza
vindo o amarelo do fogo queimando todo seu anil.
E eu fico em paz.
Mas não é isso.
No seu vazio encontro a falta que se faz
do tempo que se fecha
e não posso chorar tanto
quanto esta tempestade.
Se você soubesse a força dos ventos
Lutaria junto a mim.
Mas não...
Você será mais forte que estas tormentas
e quando realçar sua paz
ficará bem,
Voando ao pôr-do-sol
que com sua beleza
fará lamentar mais um dia que se acaba.

(Bruno Tadeu Lopes-18.07.2007)

quarta-feira, 10 de março de 2010

Anúncio Chanel com o poema Day Dream



(...)Sonhos aprisionados/nessa torre/ilha/correm soltos/mar de marfim/por dentro./ Dedicar cada dia/entre tantos/inúteis momentos/a refinar/cada gesto palavra cor/ou sentimento./Nadar no vazio alheio/movidos/por nosso sonho/claro e tácito/acordar comovido/da mente em movimento./Nesse castelo, nossa praia/essa coragem nossa/sua presença acende./Um mundo raro/um sonho em claro/doce recheio/sem resposta.
Sonhamos/vida(...)

O vídeo exibido é do anúncio Chanel com o poema Day Dream de Frederico Barbosa e com a atriz Keira Knightley sendo modelo de Chanel's perfume Coco Mademoiselle. O poema foi utilizado sem autorização do autor.

Frederico Barbosa é poeta e crítico literário brasileiro. O poema Day Dream é de seu segundo livro, Nada Feito Nada (1993). O livro ganhou um dos mais importantes prêmios de literatura do país,o Prêmio Jabuti.

DAY DREAM

Esse castelo
o que há de antigo
nosso no ar
vai se construindo
em meio improvável
desatento.

Tantas referências
nossas lentes
fora desse mundo
do vago ralo
da rapidez indiferente.

Nesse nosso castelo
vão circulando, vivos,
tantos Dukes, Claudes, Luchinos
e vários James amigos
nossos companheiros de sempre.

Sonhos aprisionados
nessa torre
ilha
correm soltos
mar de marfim
por dentro.

Dedicar cada dia
entre tantos
inúteis momentos
a refinar
cada gesto palavra cor
ou sentimento.

Nadar no vazio alheio
movidos
por nosso sonho
claro e tácito
acordar comovido
da mente em movimento.
Nesse castelo, nossa praia
essa coragem nossa
sua presença acende.
Um mundo raro
um sonho em claro
doce recheio
sem resposta.

Sonhamos
vida
sempre acordados
um sonho contrário
que se arrasta em brilho
contra a corrente.

segunda-feira, 8 de março de 2010

UM GRITO BRASILEIRO


I GRITO

Ouviram um grito de socorro em um país abalado.
Da classe trabalhadora, quase escrava.
Quando sai de seus barracos o sol não nasce.
Quem disse que há liberdade?
Ó Pátria amada!

O penhor dessa igualdade já foi desfeito.
São só papeis passados, arquivados.
Desafiamos o nosso peito a própria morte.
Só há linha de tiro
Em teu seio seco, ó Liberdade!

Brasil, tu és o meu páis, um sonho intenso.
Não morres, pois a esperança é o que nos resta.

Gigante pela própria natureza devastada.
És desumano, de crimes impunes
E pelo desequilíbrio ambiental mancomunada.
E o teu futuro espelha esse desrespeito.

Entre outras mil,
És em tu,Brasil
Essa desgraça.

Dos filhos deste asfalto esburacado,
Ainda és amada minha Pátria,
Brasil?

II GRITO

Deitado eternamente nesse convênio.
Acordos entre o tráfico armado e a doença viciada.
Diga-me, florão da América, sinceramente.
Este é o Novo Mundo de que tanto falava?

Dó da terra que ao lixo garimpa.
Em teus lixões revela-se mais pobreza.
famílias inteiras dependendo de nossos desejetos
Em campos que não germinam mais flores.
Nossos bosques mendigos abrigam.
Crianças crescendo cedo sem mais amores.

Ó Pátria desrespeitada!
Políticos comprando votos por cesta básica.
Comunidades esperando bondade alheia dissimulando serem atadas.
Quem sabe um dia alguém nos salve,
Salve! Salve!

Proteja-se da justiça cega e armada.
Indolente ao povo que lhe quer bem desejada

Que esta imagem para nossos meninos não seja mais símbolo.
O lábaro que ostenta tantos pecados,
e diga a esta mistura de raças, tão linda
_ Paz no futuro, erros no passado

Entre outras mil,
És em tu, Brasil
Essa desgraça.

Dos filhos deste asfalto esburacado,
Ainda és amada minha Pátria,
Brasil?

(Bruno Tadeu Lopes - 09 de janeiro de 2008.)