sábado, 4 de dezembro de 2010

em algum lugar diferente


(Janis Joplin - Get It While You Can)

Paz

O estopim lança sua última centelha
A incandescência comove a visão do sofrer
As luzes de artifícios são soberanas
Sonhos sem segredo vão discursar
Os sons disparados já causam alívio
Almas blindadas, impossíveis de ferir
Flâmula dançante no topo da paz
Vidas e esperanças sucedem o fim

Expectativas

Insisto em ver a chuva cair
Janelas de crianças
Não há infância
Um tiro cruzou o ar
Meu peito disparou
Conformado mendigo
Dorme, dorme berço da rua
Cegueira sem dono
Automóveis de ninguém para seguir viagem
Na vida que não entendem
Preferem não sonhar
Os meus passos saem de órbita ou será o noticiário?
Os olhos que eram azuis agora escurecem meu olhar.
Será ainda possível compreender discursos fora do palco armado?

(Bruno Tadeu Lopes)

terça-feira, 16 de novembro de 2010

sonhos são destinos sem partida


(Ode to My Family - The Cranberries)
feri tanto a solidão sem saber.
abusei de sua lealdade
fingindo amor que não poderia ter.
debaixo da janela escondi frases e mentiras.
provérbios deixei ecoarem,
ruas escuras,
becos sem saída.
lágrimas não são gritos,
beijos não são delírios.
poça seca,
esgoto fedido.
coração ausente a procura de carinho,
caminhos de ida,
refúgios,
andarilho.
mente sem destino,
mente sem motivo,
mente por mentir.
por que não te tenho aqui?
sem prazo,
veemente,
esconderijo em nossos olhos,
sonhos para fundir.
--------------------------------------------------
você consegue me entender por estar tão longe?
sua visão se confundi com a luz do sol? (assim como eu tento te ver)
será possível ainda pensar com tantos questionamentos?
mas falta coragem para dizer uma única palavra sem sentindo para sua razão.
ou será só o começo com cara de fim?
é que a raiz já progrediu tanto, sem cultivar flores no topo do céu.
e seus olhos continuam trazendo nuvens
e eu... a passagem do temporal,
desejando que sua intensidade atinja meus sonhos,
corpo...
feito a mão que afaga o sono
sem ambição de despertar.

(Bruno Tadeu Lopes)


sábado, 16 de outubro de 2010

Agora Nunca Se Sabe


para Natália Bayeh
Agora nunca se sabe se o final está onde almeja minha visão.
Na profundeza desses olhos caio sem pudor em imensidão.
E se a verdade sai rasgando o céu, devastador é meu punhal.
Não enraízo em solo fértil palavras volúveis em meio ao vendaval.
Olho ao redor , sofro ausência e passagem,
Cá pra dentro sangue que transborda displicente a sua vontade.
(Bruno Tadeu Lopes)


(Xeque Mate - Canastra)

sábado, 28 de agosto de 2010

Solidão


Ah, existência desse dia que me arranca cá de dentro essa agonia. Que me expõem ao sofrimento de uma noite fria na solidão maldita. Longe de ti, onde os pensamentos me espantam a alegria, imagino sua presença, seu perfume enlaçando nossos braços, encontrando nossa harmonia. Por que tão sozinho me quis esse dia? Tempo, sopre para longe minha tristeza e faça girar a bailarina.
(Bruno Tadeu Lopes)

(Salto No Vácuo Com Joelhada - Curumin)

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Simplificando



----------

For No One - Caetano Veloso (The Beatles)
-----------
Talvez não existam motivos, mas simplesmente nos ocorrem aparições avulsas de pessoas em nossas vidas, e damos-lhes algum significado para que possamos entender sua presença ou sua desaparição repentina. Não há de se espantar, não há de se magoar, mas deixar-se agraciar qualquer dúvida insistente, sabendo que algo existiu e complementou sua vida enquanto estiveram conectados por um laço qualquer. Mesmo se as lágrimas caírem, mesmo se o sorriso teimar não se abrir, ficarão armazenadas em nossa mente tudo que um dia foi possível e os caminhos novos que a partir dali surgiram, feito a aparição de uma miragem. Mas se você ainda não percebeu que não é mentira o que um dia esteve ao seu lado, mais complicado que alcançar suas saudades será pisar ao tapete que estende seu novo percurso. Desprezar a tristeza é impedir o significado da felicidade. Esquecer de viver para o futuro é inutilizar o passado. A vida é presença, é solidão, é continuidade, é término. Tudo em meio a multidão que vem e vai sabe-se lá para qual destino.

Hoje o sol saiu entre nuvens cinzentas. Eu olhei para o céu, senti o calor brilhar em meu rosto... e ri com os ventos frios. É tão simples ser feliz.

Bruno Tadeu Lopes

Foto: Luis Antônio Lopes

sábado, 14 de agosto de 2010

Infância da Alma


A vida é a infância da alma...Um pássaro que voa sem volta de estações


(Paciência-As Chicas)

O texto abaixo é um comentário meu feito no blog Black & White da Mona Lisa para uma postagem dela (Isto Deixou-Me A Pensar...) do mês passado (Julho). Ao me responder ela diz que eu deveria fazer de meu comentário um post. Pois bem, aí está. Gostei da idéia e assim fiz.

O bom é que a inteligência nunca vai me cegar por completo, diferente da ignorância.
Sempre haverá um fecho de luz que me indicará onde ficam todos os medos, desvios e coragens bem iluminados... é só escolher. Quero fazer tanto, tenho mais sonhos do que deveria ser permitido, mas não tenho medo de revelá-los.
Tenho muitos motivos para me esconder, fechar os olhos e me perder em caminhos desconhecidos, sem saber para onde ir. Mas quero pegar o vento de frente, quero enfrentar a fúria de um mar se for preciso. Ampliar meu horizonte, minha cultura, minha inteligência, só ampliaram meu amor pela vida que terei. Saberei o que fazer, mesmo não sendo de imediato. Saberei qual caminho seguir, mesmo sendo muitos até o indicado a ser considerado como certo. E vou percorrer o máximo que minha alma agüentar carregar essa carcaça. Não vou me desorientar pois minha bússola fica entranhada em meus olhos.
“Mr. Play It Safe was afraid to fly”?!
Eu mergulhei no abismo para alcançar ventos intensos até um rio desgovernado. A selvageria da minha inteligência tornou tudo tão simples quando percebi a infância que é a vida. Um instante breve e necessário, onde não vejo tempo para o poder, para a guerra, só vejo certo um fim misterioso no sopro da tão sonhada vida. Vou voando como um pássaro, sem volta de estações. Sou como quem está encharcado no temporal e abre os braços para sentir toda a chuva escorrer pelo seu corpo.A inteligência me leva a extremos picos de satisfação. A vida será sempre incompleta, por isso não colocarei ponto final na minha história, sem medo de não concluir o que deveria ser feito, pois sou feliz.



terça-feira, 3 de agosto de 2010

Falsos Cometas


(Black - Pearl Jam (aovivo2005apoteoseRJ)

(para Inaiara Peixoto)
Hoje é como se o dia clareasse só para mim e me fizesse ver o tanto que a fiz sofrer.
Tudo foi tão breve que... não tive tempo de enxugar as lágrimas que você derramou, imaginando como seria se fossem todos estes falsos cometas transformados em um mundo, mobiliado para nós dois. Você queria me acolher, mas no momento teu sonho tornara-se inalcançável, como a sombra do teu rosto para mim.

Bruno Tadeu Lopes (2005)
-------------------------------------------------------------------------------------------------
É sempre nos teus cantos sonoros
Que eu bebo inspiração.
(...)
Donzela, esta vida
Se eu tanto pudera,
Quisera
Te dar;
Se um beijo eu pudesse
Ardente e fugace
Na face
Pousar.

Machado de Assis
-------------------------------------------------------------------------------------------------

ilustração: Kelzinha Sharamor no Gartic

sexta-feira, 16 de julho de 2010

And I Love Her


Será que você nunca será capaz de acreditar na incerteza que sempre haverá diante dos nossos olhos? Ah, vida que me divide sempre em dois pontos! Fossem mil acasos não seriam tão intensos feito o brilho do seu olhar iluminando outra vida que não a minha.
Ainda assim removo correntes insustentáveis e sonho com você, sem pensar para onde devo guiar meus delírios, fugindo o risco de perdê-la em meus afagos. Certamente parece não ligar que seja pretensiosa esta inclinação escorrendo continuamente por trás de tantas palavras confusas, resplandecendo em pele fresca limites desmedidos sem eu mais poder negar o que nunca lhe disse pela insegurança de amar tanto.

(Bruno Tadeu Lopes)
-------------------------------------------------------------------------------------------------

(And I Love Her - The Beatles)
-------------------------------------------------------------------------------------------------

terça-feira, 13 de julho de 2010

Por Onde Não Se Vê


Por trás dos meus passos a poeira escondeu o que você falou.
Eu abro meus braços e me rasgo, pétala por pétala feito flor.
Um acontecimento não é o meu exato, não foi como você imaginou.
Não vá mergulhar em teus sonhos fotográficos e queimar tudo depois.
Ao conversar apague a luz e veja que a mágoa não se dissolve onde há dor.
O tempo nem sempre é passado, bloqueie o retorno onde você me encontrou.
Não são contos de fada, não faz mais sentido palavras descobertas no frio do amor.

(Bruno Tadeu Lopes)
-------------------------------------------------------------------------------------------------

(Boston - Augustana)

-------------------------------------------------------------------------------------------------
Foto: Antônio Husadel
Modelo:
Patrícia Monteiro
Revista Nua

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Depois de 20 anos de saudades, Ezequiel Neves nos deixa para reencontrar Cazuza

Não costumo postar duas vezes no mesmo dia, mas hoje infelizmente vai ser diferente. Na postagem anterior eu homenageei um ídolo meu e de muitos brasileiros, que nos deixou há 20 anos depois de lutar contra o vírus da aids. Mas agora nessa tarde recebo a notícia, junto com o Brasil, que a pessoa responsável pelo lançamento no mundo musical da banda Barão Vermelho e do ídolo referido, Cazuza, morre após luta contra um tumor no cérebro.

No site G1
Morreu na tarde desta quarta-feira (7), na Clínica São Vicente, na Gávea, Zona Sul do Rio, o produtor musical, compositor e jornalista Ezequiel Neves. Segundo a assessoria de imprensa da clínica, Ezequiel, de 74 anos, estava internado desde o dia 22 de janeiro para tratamento de um tumor benigno no cérebro. Ainda segundo a clínica, a causa da morte foi falência múltipla dos órgãos.
Conhecido também como Zeca Jagger, o jornalista foi amigo e um dos responsáveis por lançar a carreira musical da banda carioca Barão Vermelho, do cantor Cazuza, e foi o empresário de Cássia Eller.
Foi com Cazuza que compôs sucessos como "Exagerado", que teve a participação de Leoni, e "Codinome beija-flor", que contou também com Reinaldo Arias. Cazuza faleceu nesta mesma data, há 20 anos.
Luiz Pissurno, que trabalhava como secretário de Ezequiel desde 2008, destacou a ajuda do músico Roberto Frejat, cantor, guitarrista e líder do Barão Vermelho, durante o período em que Ezequiel esteve doente.
“Se não fosse o Frejat, teria sido muito pior", afirma.
Ezequiel contou em uma entrevista para o jornal “O Globo” de 2008 que começou a carreira de produtor com uma banda paulista chamada Made in Brazil, em 1975. Em 1979, foi para a gravadora Som Livre, a pedido do produtor Guto Graça Melo
Logo em seguida ele saiu da gravadora, mas voltou, quando trabalhou com o Barão Vermelho. Na entrevista para “O Globo”, ele declarou:
“Em 1982 a Som Livre me contratou de novo. E caiu na minha mão — caiu não, eu roubei do Leonardo Neto (hoje empresário de Marisa Monte e Adriana Calcanhotto) — a fita do Barão Vermelho. O Leo e o Nelsinho (Motta) iam fazer uma coletânea. Mas depois de ouvir a fita do Barão eu disse: ‘Isso é um disco inteiro. O grupo é ótimo, é diferente.’ Eles tocavam rock de verdade. Era uma coisa muito violenta. E o texto do Cazuza, nunca ninguém tinha escrito daquela forma. Só que ele era filho do dono da empresa... A própria Rita Lee dizia: ‘O Ezequiel deu o golpe do baú, foi inventar que o filho do dono da empresa é cantor e compositor.’ Mas eu tava fazendo escândalo porque adorava!”

20 anos sem Cazuza


Cazuza morreu há 20 anos, mas continua entre nós. A prova disso está na canção inédita Você Vai Me Enganar Sempre II, interpretada por ele mesmo, no CD de George Israel.
Em férias sabáticas do Kid Abelha, o saxofonista do grupo, George Israel, chega ao terceiro CD solo, 13 parcerias com Cazuza. A gente sempre compunha e Cazuza colocava a voz. Por sorte do destino, consegui recuperá-la a partir de uma fita K7. Ficou um barato, comemora George. Ano passado, fui convidado para fazer um evento em homenagem ao Cazuza. Comecei a revirar o material que produzimos e tive a idéia do CD. Lembro que Cazuza me chamava de meu parceirinho. Ele era um elo que unia todos que o conheciam. E, hoje, continua juntando as pessoas, acredita. No CD George reuni convidados especiais. O show de lançamento foi no Canecão em maio deste ano.

Como nasceu a parceria com Cazuza e qual era o processo de trabalho de vocês?
_Amor, amor, com Frejat abriu a porta dessa parceria. Quando Cazuza saiu em carreira solo, me pediu uma música para letrar. Assim nasceu Solidão que nada. Brasil foi encomenda para um filme, e tem Nilo Romero como coparceiro. Depois, já estabelecida a parceria, recebíamos letras como Você vai me enganar sempre II. Aí, registramos num gravador de quatro canais a composição, já com uma idéia de arranjo. Graças a esse processo, ficamos com a voz de Cazuza nessa música, talvez única inédita com voz dele. Já 4 letras foi feita para o Ney Matogrosso, e a Lucinha Araújo me deu a letra, em 2004.
Como será o show no Canecão? Sente-se confortável como solista, após tantos anos de Kid Abelha?
_O show vem com muita história embutida. Será o mais importante que já fiz. Tem um conceito bem definido, com cenários, projeções(Luis Stein, Marcelo Linhares), direção(Pedro Paulo Carneiro), além das participações muito especiais e da banda que vem tocando comigo, que conta com o “barão” Guto Goffi. Provavelmente sairá em DVD.

Nos dizeres da música 4 Letras, a promessa do poeta cumprida: Um dia, quando você menos esperar, eu vou voltar cantando, como se nada tivesse acontecido...

Por Mylena Honorato - O Dia - 07/05/2010
Por E-Mail / George Israel – Jornal do Brasil 07/05/2010

Cazuza, por ele mesmo:
A minha música faz parte de uma história que começou quando o meu avô, dono de um engenho em Pernambuco, resolveu morar em cima do areal do Leblon (Rio de Janeiro), como terceiro morador da região. Ali nasceu meu pai, João Araújo, que se casou com uma moça linda, Lucinha, que cantava como um passarinho. Uma mulher que se tornou importante no cenário musical e que teve, numa das primeiras novelas da televisão, sua gravação da música "Peito vazio" (de Cartola) incluída na trilha sonora. Gostava de vê-la cantando e penso que isso influiu muito no meu futuro.
Meu pai também pesou muito. Ele sempre transou disco e, quando eu era menino, tinha a casa cheia de artistas. Eram cantores que chegavam e saíam o tempo todo. Conheci Elis Regina, os Novos Baianos, Jair Rodrigues, que gostava de brincar de me jogar para o alto, e outros cantores. Na nossa casa, se respirava música o tempo todo.
Aos 17 anos, comecei a descobrir que minhas poesias podiam ser letras de músicas, mas só assumi isso aos 23 anos, quando entrei no Barão Vermelho. Antes disso, procurei conhecer tudo sobre teatro, pois sabia que era um bom veículo pra me tornar cantor.
Cheguei a me empolgar no dia da estréia, quando o Léo Jaime, que também estava na peça, me falou que conhecia um grupo musical que estava se formando e procurando um vocalista. Era um tal de Barão Vermelho. Fui, no dia seguinte, ao encontro deles e minha história começou.
Pra compor, não planejo absolutamente nada. Acho que sou a pessoa mais desorganizada que você pode imaginar. Tudo me acontece de supetão, porque nunca sei como a coisa vai sair. Agora, quando a inspiração vem, sou caxias mesmo, muito sistemático. Quando sento à mesinha para trabalhar, faço mesmo. Se a idéia não pinta, puxo por ela até acontecer. Só sou disciplinado para trabalhar. Pode ser até as quatros horas da manhã. Mas se começo uma letra, ela tem que sair. Depois fico semanas melhorando as imagens, as rimas.
Em matéria de música, não sou nada radical. Mas foi com o rock que encontrei a minha tribo. De repente, fumei um baseado, saí na rua e vi uma porção de gente igual a mim. Soltei pipa e joguei frescobol ao som do rock. Era a liberdade, da mesma forma que o jazz foi pra geração dos 40.
Eu não pirei com os Beatles, não dava muita importância, via como uma coisa meio histérica. Mas adorava também. Cantava "Help!" numa língua que inventei… Só quando pintou Caetano com "Alegria alegria" é que achei aquilo moderno. Gal cantando "a cultura, a civilização, elas que se danem…" Macalé e a ‘morbideza romântica’ de Wally Salomão. Rock eu conheci mesmo através do Caetano e da Tropicália, Os Mutantes, Rita Lee, Novos Baianos. Com 13 anos, eu estava lá no pier de Ipanema; ficava de tiete, de longe, tentava apresentar uns baseados pra eles, mas ninguém pedia.
O Roberto Carlos também é uma pessoa importantíssima para mim, porque faz parte da minha infância. Eu cresci amando a Jovem Guarda. Outro dia, ele precisava do estúdio onde eu estava gravando, me ligou e disse: "Oi, meu Barão…" Eu respondi que não era mais do Barão, mas ele disse que vou ser sempre. E ele está certo. Eu vou ser sempre um Barão Vermelho. Ele é o Rei e me elegeu seu Barão.
O lance estrangeiro veio pelos Rolling Stones, mas quando a Janis Joplin morreu eu nem sabia quem era ela… Mas então um amigo me mostrou a Janis, que eu conhecia da televisão, entre uma novela da Janete Clair e outra. Tava assim:"Jimi Hendrix e Janis Joplin mortos por drogas." Para mim, aquilo era uma coisa horrorosa. Mas quando ouvi aquela mulher descobri que ela era genial. Aí eu entendi o que era o blues, e através da Janis descobri a Billie Holiday e mesmo a Dalva de Oliveira. Tudo aquilo que eu já curtia, mas que achava cafona. Aliás, sou cafona e assumo. Gosto de palavras como ingratidão. Sou meio Augusto dos Anjos:"Escarra na boca que te beija."
Enfrentar o palco para mim é tudo. Aflora um lado sensual meio incontrolável. Às vezes, entro de pau duro, a coisa pinta até antes de subir ao palco… Outras vezes, entro morrendo de medo, mas cantando solta a tensão. Sem brincadeira, é lance sexual mesmo. Sinto o sexo aflorando, olho pras pessoas e sinto que tem uma coisa também que volta em resposta. Porque estou mostrando uma coisa bonita que eu compus: não sou humilde, gosto mesmo do que faço. É muito o lance do prazer, eu e a platéia transando pra caralho.
Li uma vez que você vive não sei quantas mil horas e pode resumir tudo de bom em apenas cinco minutos. O resto é apenas o dia-a-dia. Um olhar, uma lágrima que cai, um abraço… Isso é muito pouco na vida. Então, isso vale mais que tudo para mim.
Por enquanto, o que me dá maior prazer além da música é o beijo na boca. Aquele lance do beijo que é o "fósforo aceso na palha seca do amor". O beijo começa tudo; é da boca que vem a relação… a primeira vez que se entra numa pessoa. Pra mim, é essencial. Sou capaz de ficar de pau duro se beijar alguém.
Eu fico feliz quando penso que o homem difere dos bichos e das plantas porque pode amar sem reproduzir - embora o Papa não goste disso. O homem transa por prazer. Então, pode ser homem com homem, mulher com mulher, com diafragama, com pílula, com o que for… Homossexualismo é assim uma coisa normal. E o hetero, e o bissexualismo. O homem pode amar independente do sexo, porque ele não é bicho, não é planta. Se o cara não quer, não sente atração, tudo bem. Mas não tem esse negócio de regra geral quando se fala de amor. Quando pinta tesão, estou com Tim Maia e Sandra de Sá: "vale tudo", mesmo!
A minha ideologia é a da mudança. Nada de partido político. É a coisa de mudar o Brasil, em qualquer dimensão.
Quando fiz "Ideologia", nem sabia o que isso queria dizer, fui ver no dicionário. Lá estava escrito que indica correntes de pensamentos iguais e tal… A música, por sua vez, é muito pessimista, porque, na verdade, é a história da minha geração, a de 30 anos, que viveu o vazio todo. É meio amarga porque a gente achava que ia mudar o mundo mesmo e o Brasil está igual; bateu uma enorme frustação. Nos conceitos sobre sexo, comportamento, virou alguma coisa, mas deixamos muito pelo caminho. A gente batalhou tanto e agora? Onde chegamos? Nossa geração ficou em que pé?
Pra mim, o patriotismo não é essa coisa símbolos, como a bandeira. Mexe muito mais com o sentimento. Quando me enrolei na bandeira, no Rock in Rio, eu estava acreditando. No Rock in Rio, cantei por dez minutos com a bandeira, sonhei, acreditei. Quando eu era adolescente, também acreditava. A gente não tinha descoberto a vaselina, o conchavo. Entrava com garra mesmo. Nem sei mais se essa garra existe hoje com os novos adolescentes.
O inferno é aqui. A cabeça da gente é um inferno. E essa coisa de "o inferno são os outros" não sei não… Pra mim, que dependo muito de amigos, de carinho dos outros, não vejo a vida contra alguém. O inferno é um baile de carnaval no Monte Líbano.
Sou muito animado pra sentir tédio. Sou animado à beça, qualquer coisa me anima. Se você me convida pra ir à Barra da Tijuca, eu já digo logo: Vaaaamos!!! Qualquer besteira me anima. Tudo que já passei na minha vida não conseguiu tirar essa animação.

"Homem que é homem volta atrás, mas não se arrepende de nada".
"Ser marginal foi uma decisão poética, mas foi o único caminho que tive."

Compilação feita por Ezequiel Neves e recolhida em entrevista às revistas ISTO É, PLAYBOY, AMIGA e INTERVIEW, no período de 1983 a 1989

"O nosso amor a gente inventa pra se distrair...”
Ao sair em turnê de lançamento do álbum “Só se for a dois” Cazuza já sabia que estava com Aids. Antes de estrear o show "Só se for a dois", tinha adoecido e feito um novo exame. A confirmação da presença do vírus iria transformar sua vida e sua carreira.
Em outubro de 1987, após uma internação numa clínica do Rio, Cazuza foi levado pelos pais para Boston, nos Estados Unidos. Lá, passou quase dois meses críticos, submetendo-se a um tratamento com AZT. Ao voltar, gravou "Ideologia" no início de 1988, um ano marcado pela estabilização de seu estado de saúde e pela sua definitiva consagração artística. O disco vendeu meio milhão de cópias. Na contracapa, mostrou um Cazuza mais magro por causa da doença, com um lenço disfarçando a perda de cabelo em função dos remédios. No seu conteúdo, um conjunto denso de canções expressou o processo de maturação do artista. "O meu prazer agora é risco de vida/ Meu sex and drugs não tem nenhum rock 'n' roll", confessava ele, em "Ideologia". E: "Eu vi a cara da morte/ E ela estava viva", em "Boas novas". O show do álbum viajou o Brasil de norte a sul, virou programa especial da Globo e disco. Lançado no início de 1989, "Cazuza ao vivo - o tempo não pára" chegou ao índice de 560 mil cópias vendidas. Reunindo os maiores sucessos do artista, trouxe também duas músicas novas que estouraram: "Vida louca vida", de Lobão e Bernardo Vilhena, e "O tempo não pára", de Cazuza e Arnaldo Brandão. Esta - título do trabalho - condensou, numa das letras mais expressivas de Cazuza, a sua condição individual, de quem lutava para se manter vivo, com a do povo brasileiro.
Foi pouco depois do lançamento do álbum que ele reconheceu publicamente que estava com Aids, sendo a primeira personalidade brasileira a fazê-lo. Era então notória -e notável - a sua afirmação de vida. À medida que seu estado piorava, ao contrário de se deixar esmorecer ante a perspectiva do inevitável, Cazuza, ciente do pouco tempo que lhe restava, passou a trabalhar o mais que podia. Entrou num processo compulsivo de composição e gravou, de fevereiro a junho de 1989, numa cadeira de rodas, o álbum duplo "Burguesia", que seria seu derradeiro registro discográfico em vida.
O trabalho seguiu um conceito dual - num dos discos, de embalagem azul, prevalecia o gênero rock; no outro, de capa amarela, MPB. Entre as suas últimas novidades, com a voz nitidamente enfraquecida, Cazuza apresentou clássicos de outros autores (como Antonio Maria, Caetano Veloso e Rita Lee) e duas músicas feitas com novas parceiras, Rita Lee e Ângela Rô Rô. A canção-título, com uma letra extensa atacando os valores da classe burguesa, chegou a ser tocada nas rádios, mas o álbum não obteve sucesso comercial e foi recebido discretamente pela crítica.

Burguesia
por Ezequiel Neves
Esse pode ser chamado de o disco da ressurreição. CAZUZA, já minado pela doença, provou que a pirraça era a forma de se manter vivo. Criava como um tresloucado, escrevia desbragadamente, aos borbotões. Mandava letras para Frejat, Angela Ro Ro, Arnaldo Antunes, Arnaldo Brandão, Joanna, João Donato e também as dava a quem fosse visitá-lo na Clínica São Vicente. E exigia que eles musicassem tudo em milésimos de segundos.
Nilo Romero e eu fomos sumariamente demitidos da produção, já em Recife, onde ele apareceu no palco pela última vez. Já de volta ao Rio, chegava ao estúdio da Polygram em cadeira de rodas, deitava-se num sofá e mandava ver. João Rebouças criava os arranjos e ele ia colocando a voz direto. Os técnicos da gravadora agiram de uma forma pavorosa. Como ele cantava deitado, os microfones eram colocados de qualquer jeito, como se cada dia de gravação fosse o último e que aquele disco não iria ser lançado nunca.
Era uma produção, digamos sem exageros, brutalista. Só encontro comparação em obras primas inaudíveis, como, por exemplo, Double Quartet de Ornette Colleman e Metal Machine Music, de Lou Reed. E as letras, repito, eram orgiásticas, haviam canções com 140 versos, tudo era fantasmagoricamente irracional, trovões e relâmpagos verbalizados numa linguagem devastadora. Era a própria urgência de cataclismas transcendentais.
BURGUESIA é um álbum-duplo com 21 pulverizantes faixas. Um registro que sempre valerá a pena ser relido por "seculo seculorum". CAZUZA assumiu e assinou, com garras e dentes toda a produção. Só mesmo ele teria culhões e honestidade para fazer isto.
------------------------------------------------------------------------------------------------
Em outubro de 1989, depois de quatro meses seguindo um tratamento alternativo em São Paulo, Cazuza viajou novamente para Boston, onde ficou internado até março do ano seguinte. Seu estado já era muito delicado e, àquela altura, não havia muito mais o que fazer. Foi assim que ele morreu, pouco depois - a 7 de julho de 1990. O enterro aconteceu no cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro. Sua sepultura está localizada próxima às de astros da música brasileira como Carmen Miranda, Ary Barroso, Francisco Alves e Clara Nunes.

Eu sou mesmo exagerado/Adoro um amor inventado


http://www.cazuza.com.br/

terça-feira, 22 de junho de 2010

De Natura Tododia Verão até O Inverno. Passando por Arnaldo Antunes de encontro a Vivalde e suas Le quattro Stagioni



Uma compilação de leituras e conhecimentos. Fontes ao final da postagem.

Desde dezembro passado fiquei maravilhado com as propagandas da linha Natura Tododia Verão e vinha querendo postar sobre aqui no Fenda Flor, coisa que não aconteceu. Ontem, dia 21 de junho, começou o inverno aqui no Brasil e a natura lançou seus novos produtos para a estação seguindo a linha Tododia Inverno. Na linha Verão a propaganda vinha com um texto em forma de poesia concreta de Arnaldo Antunes, já na linha Inverno a narração segue a métrica de poesia que marcou as campanhas anteriores e as imagens são embaladas por uma releitura (puro rock’n roll) do trecho Inverno, das Quatro Estações de Vivaldi. Caramba, eu adoro Arnaldo Antunes e adoro Antonio Vivaldi, logo adoro esses comerciais. Foram muito bem bolados. E agora vou compartilhar com vocês tanto a postagem do Verão quanto a do Inverno, passando por Arnaldo Antunes até Antonio Vivaldi.

Natura Tododia Verão
O comercial remete ao cotidiano rotineiro de se sentir bem ao se cuidar.
Ali se notava o Bem Estar Bem sugerido no slogan da Natura.
Entre os elementos que compõe o filme, a sonoridade do texto criado por Arnaldo Antunes(Arnaldo Augusto Nora Antunes Filho, 1960, poeta, escritor e compositor brasileiro)é singular.
A função poética clara do texto em forma de poesia concreta, que escorre pela tela e forma as sugestões de o que pode ser a tal rotina sugerida pela Natura, tornando mais concreto que a própria fantasia, o conceito de Dionisíaco desta análise. . Dessa forma, todo inicio é precedido por uma escolha, todo espelho remete a uma lembrança de tempos que passaram, toda dança é liberdade de expressão como o rock e assim segue, onde toda sensação de bem estar Natura, e uma quer estar ligado a outra numa subjetividade escondida em nosso próprio entendimento.
Ainda que surreal demais, não se pode limitar os sinais midiáticos a irrelevância de compreensão, uma vez que uma chuva de letras transcorre ao frescor sugerido, ao prazer do bem estar. É surreal justamente acreditar nessa chuva de palavras e, através disso, fixar o conceito de uma marca, e remeter o receptor desta mensagem a este frescor, a esta sensação de bem estar que um banho nos proporciona.
Nosso universo particular vale mais que palavras na imagem do espelho.
“A rotina do espelho é o oposto” é a primeira frase sem texto na tela, apenas narrada.
Sentir-se bem, é sentir-se como a modelo, que se olha no espelho e percebe uma beleza enaltecida pelo momento, ainda que se trate apenas de uma rotina, como sugere a propaganda.
“A rotina da pele é o arrepio”
Com certeza a frase que mais chama atenção no comercial. A imagem remete, no ato, a sensação que todos já experimentamos. Sua simples exposição nos remete ao fenômeno que a pele proporciona, por vezes num simples declínio de temperatura, e que aqui tem justamente essa função, nos levar ao momento pós- banho, de conforto e de liberdade.
A palavra desejo é, de certa forma, o pecado em forma de som.
Sentir-se bem é sentir-se desejado, é desejar com propriedade de quem pode e consegue, é querer, é conseguir... Desejar é sublime, é imortal.
A alegria nas curvas de um gesto mexe com a libido e transposta às pessoas para outro local que não um banheiro, mas sim o que o espera após essa rotina.
“Toda rotina tem sua beleza” O slogan que concretiza pensamentos de 30 segundos.
A idéia era mostrar que um simples banho pode ser especial se assim você o ver, o sentir, o aproveitar.

A alegria é a rotina do verão A ousadia é a rotina da invenção A brisa é a rotina da carícia A rotina da água é a delícia O encontro é a rotina da esquina A rotina dos olhos é a menina A sensação é a rotina do calor A rotina do corpo é o frescor A rima é a rotina da poesia A rotina da folga é o meio-dia A liberdade é a rotina de ser A rotina dos sentidos é o prazer


A idéia é a rotina do papel O céu é a rotina do edifício O início é a rotina do final A escolha é a rotina do gosto A rotina do espelho é o oposto A rotina do jornal é o fato A celebridade é a rotina do boato A rotina da mão é o toque A rotina da garganta é rock O coração é rotina da batida A rotina do equilíbrio é a medida O vento é a rotina do assobio A rotina da pele é o arrepio A rotina do perfume é a lembrança O pé é a rotina da dança Julieta é a rotina do queijo A rotina da boca é o desejo A rotina do caminho é a direção A rotina do destino é a certeza Toda rotina tem sua beleza

Vídeo Versão 2 Natura Tododia, onde muda uma cena em "A rotina da mão é o toque A rotina da garganta é rock".

Agência: Taterka Comunicações S/A
Trilha Sonora: Banda Sonora
Texto: Arnaldo Antunes
Locutor: Paulo Leite

Natura Tododia Inverno
Transformar a rotina dos dias frios, incluindo rituais de hidratação e bem-estar durante e após o banho. É com esse mote que a campanha da linha Tododia Inverno, da Natura, estreou com um filme de 30” no intervalo do Fantástico. Criada pela Taterka, a comunicação que tem como título “Vire a rotina do inverno do avesso” revela que essa estação também pode ser agradável para cuidar da pele.
“Descubra a poesia na sua rotina”, “toda a comunicação da linha imprime um novo significado para a palavra rotina”, afirma Eduardo Simon, Sócio e Diretor de Atendimento da Taterka.
A comunicação publicitária assinada pela Taterka traz filme com uma releitura do trecho Inverno, das Quatro Estações de Vivaldi, além de anúncios de mídia impressa.
As peças serão veiculadas nas regiões Sul, Sudeste e no Distrito Federal. A campanha também estará em canais de TV paga.

Não se cubra, descubra Não embace, desembarace Não encolha, se atire Não se feche, arrepie Não gele, incendeie Não amarele, avermelhe Não trema, estremeça

Agência: Taterka Comunicações S.A.
Direção de Criação: Marcelo Lucato
Diretor: Rodrigo Lewcovickz
Fotógrafo: Marcelo Durst
Montagem: Wilson Fernandes
Finalização: TVC - Ricardo Nimtz/Thiago Siebra
Trilha Sonora: Banda Sonora
Produção: Equipe Banda Sonora


Antonio Lucio Vivaldi (1678-1741) Le quattro Stagioni



A principal característica da obra de Antonio Vivaldi é a sua própria personalidade: uma agitação, um furor, uma ânsia de compor raramente igualada em toda a história da música.
Sua obra-prima, certamente, é Le quattro stagioni (As quatro estações), composta por quatro concertos, cada um representando uma temporada. Cada um é feito em três movimentos, com um movimento lento entre dois rápidos. Foi publicada em Amsterdã em 1725, fazendo parte e abrindo uma série de 12 concertos, intitulados Il Cimento dell'Armonia e dell'Invenzione (O diálogo entre a harmonia e a criatividade). Nessa série, se acentua a tendência ao sentido pitoresco que resulta na tentativa de se expressar, musicalmente, fenômenos da natureza ou sentimentos, como a primavera, o verão, o outono e o inverno retratados em As quatro estações. Um testamento do admirável teor de técnica intelectual e fantasia criativa de Vivaldi. Ele teve a precaução de prefaciar cada peça com um soneto descrevendo cada estação, e depois marcou os momentos apropriados correspondendo às palavras em cada concerto. O canto dos pássaros é descrito por alegres trinadinhos, o tremulo do violino marcando a aproximação do trovão, pizzicati descrevendo as gotas de chuva caindo.
“As Quatro Estações” é, acima de tudo, a celebração das múltiplas impressões de cada indivíduo ou coletivas das mudanças de estações, inspirando a evocação do universo inteiro de emoções associadas a elas e às transições climáticas e ontológicas envolvidas.
Na peça O Inverno, ele representa o rigoroso inverno do norte da Itália.
Vivaldi estava bastante consciente de sua inspiração e procurou descrever em música, o que ele pensava ser o frio arrepio na madrugada escura de um vento cruel. Descreve primeiro o frio e o batear de dentes, depois momentos calmos junto ao fogo e, enfim, a alegria temerária de deslizar no gelo quebradiço e ouvir o assobio dos ventos invernais.

L'inverno

Aggiacciato tremar trà nevi algenti
Al Severo Spirar d'orrido Vento,
Correr battendo i piedi ogni momento;
E pel Soverchio gel batter i denti;

Passar al foco i di quieti e contenti
Mentre la pioggio fuor bagna ben cento;
Caminar Sopra'l giaccio, e à passo lento
Per timor di cader gersene intenti;

Gir forte Sdruzziolar, cader à terra,
Di nuovo ir Sopra 'l giaccio e correr forte
Sin ch'il giaccio Si rompe, e Si disserra;

Sentir uscir dalle ferrate porte
Sirocco, Borea, e tutti i Venti in guerra
Quest'è 'l verno, mà tal, che gioja apporte.

O Inverno

Agitado tremor traz a neve argêntea;
Ao rigoroso expirar do severo vento
Corre-se batendo os pés a todo momento
Bate-se os dentes pelo excessivo frio.

Ficar ao fogo quieto e contente
Enquanto fora a chuva a tudo banha;
Caminhar sobre o gelo com passo lento
Pelo temor de cair neste intento.

Girar forte e escorregar e cair à terra;
De novo ir sobre o gelo e correr com vigor
Sem que ele se rompa ou quebre.

Sentir ao sair pela ferrada porta,
Siroco, Borea e todos os ventos em guerra;
Que este é o Inverno, mas tal, que [só] alegria porta.


•Concerto No. 1 in E major, "La primavera" (Spring), RV 269.
•Concerto No. 2 in G minor, "L'estate" (Summer), RV 315.
•Concerto No. 3 in F major, "L'autunno" (Autumn), RV 293.
•Concerto No. 4 in F minor, "L'inverno" (Winter), RV 297.
•Concerto No. 5 in E-flat major, "La tempesta di mare" (The Sea Storm), RV 253.
•Concerto No. 6 in C major, "Il piacere" (Pleasure), RV 180.
•Concerto No. 7 in D minor, RV 242.
•Concerto No. 8 in G minor, RV 332.
•Concerto No. 9 in D minor, RV 236.
•Concerto No. 10 in B-flat major, "La caccia" (The Hunt), RV 362.
•Concerto No. 11 in D major, RV 210.
•Concerto No. 12 in C major, RV 178.

Concerto:
Um concerto é uma composição musical caracterizada por ter um ou mais de um instrumento solista com acompanhamento de um grupo maior, sobre o qual o solista se destaca. Originalmente, era uma forma com base em três movimentos, sendo o primeiro lento, o segundo de andamento moderado e o terceiro rápido. A forma de concerto mais difundida foi estabelecida por Antonio Vivaldi.
Opus:
É uma expressão do latim para designar trabalho (obra). O plural é opera. Com um número, na música, geralmente numerado pela ordem de publicação da obra.

Fonte:

http://www.portaldapropaganda.com.br/portal/component/content/article/16-capa/15724-natura-traz-o-prazer-da-rotina-em-campanha-da-linha-tododia-verao.html

http://www.portaldapropaganda.com.br/portal/component/content/article/16-capa/19239-campanha-da-natura-para-linha-tododia-inverno-sugere-virar-a-rotina-do-avesso.html

http://www.scribd.com/doc/21276366/O-CONCEITO-DE-MARCA-COMO-ESTRATEGIA-DE-MARKETING

http://www.scribd.com/doc/467721/Os-concertos-de-Vivaldi

http://estacoesmimesis.blogspot.com/2008/11/os-sonetos-de-vivaldi.html

http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=925

http://www.sonetos.com.br/vivaldi.php

http://www.baroquemusic.org/vivaldiseasons.html

http://www.arnaldoantunes.com.br/

http://scf.natura.net/tododia

http://inkpot.com/

http://www.youtube.com/user/naturabemestarbem

http://www.youtube.com/user/CanalTaterka

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Mundo ficou 'mais burro e cego'


José Saramago na cidade espanhola de Lanzarote, nas Ilhas Canárias, em 1996, pelas lentes do fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado-veja mais no G1)

Escritor português, um dos maiores nomes da literatura contemporânea, vencedor do prêmio Camões(a mais importante condecoração da língua portuguesa) em 1995 e do prêmio Nobel de Literatura em 1998 , José Saramago morre aos 87 anos em sua casa, nas Ilhas Canárias em 18 de junho de 2010, sexta-feira.

O cineasta brasileiro Fernando Meirelles que filmou adaptação de 'Ensaio sobre a cegueira', livro de Saramago, diz que “Mundo ficou ‘mais burro e cego’”
"[Ele] dizia que a morte é simplesmente a diferença entre o estar aqui e já não mais estar. Combatia as religiões com fúria, dizia que elas nos embaçam nossa visão", diz o cineasta. Leia mais no portal do g1 da globo.com

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Grito


O giro mundo.
Gira, é carrossel.
Gira, dia, a vida.
Vida que adia dias.
Vadia a pé de carnaval
O que resta do calçado
Que cansa o mancebo
A dançar, envolto, fosco véu.
Exausta a esperança, arranca a lança,
Acerta as lembranças de cegas horas;
Em horizontes donde corro,
E canto, e gira, espiral,
Livre meu poder!
Não pára num palco,
Num ato de parto, de dores
Da prenha luz que reproduz
Induzindo as sendas em rimas finas
Ou que desafina nas verdades que são minhas
E só minhas eu sei dizer.
Grita, grita!...
Grita porque perde-se o resto
Que se decompõe da questão.
Eu não quero ter, então gira,
Que o resto é feto.
E o sol continua parado,
Ardendo sem prazer.
Gira lua e brilha a custa do astro rei,
Da noite que é dia e goza da vida
A cada segundo que gira
O jogo que é ser.

(Bruno Tadeu Lopes)

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Tributo a John Williams pela OSB no Theatro Municipal do Rio de Janeiro

OSB antes do concerto (Fotografia Bruno Tadeu)

Você gosta de cinema? E de música clássica?
Pois é, os dois andam juntos. Quer ver(e ouvir)?
No último sábado(22/05/2010) fui ao concerto da Série “Fora de Sério” da Orquestra Sinfônica Brasileira(OSB), que completa 70 anos de existência, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. A apresentação foi um tributo a John Williams.
“Indicado ao Oscar 40 vezes, Williams ganhou a estatueta por cinco trilhas diferentes, dentre elas Guerra nas Estrelas, E.T. O Extraterrestre e a Lista de Schindler.”
Ontem, a orquestra foi regida por Roberto Minczuk, também diretor artístico da OSB, e teve a participação dos solistas Leonardo Sousa (vibrafone) e Daniel Guedes (violino). A seleção musical oficial do programa era Harry Potter e a Pedra Filosofal, Jurassic Park(O Parque dos Dinossauros), Indiana Jones e Os Caçadores da Arca Perdida, A lista de Schindler, Tubarão, Guerra nas Estrelas, Superman e Prenda-me se for Capaz (será que você conhece alguma destas trilhas?), mas foi alterada a ordem de apresentação, avisado pelo maestro antes do espetáculo, e acrescentado mais duas trilhas. A do filme E.T. e uma que segundo Minczuk não poderíamos sair sem ouvir. Esta última não foi escrita por Williams, mas foi feito um arranjo por ele. Estou falando do bravíssimo tango do mestre Carlos Gardel intitulado “Por Una Cabeza” (1935), muito conhecido na cena do filme Perfume de Mulher (Scent of a Woman), do ano de 1992, onde Al Pacino dança o tango no restaurante.

OSB (fotografia Marcio Pinheiro)

Lembrada pelo meu amigo Marcio Pinheiro, a nova ordem musical ficou assim definida:
Superman
Tubarão
Harry Potter e a Pedra Filosofal
Prenda-me Se For Capaz
Indiana Jones e Os Caçadores da Arca Perdida
(intervalo de 15 minutos)
Jurassic Park - O Parque dos Dinossauros
A Lista de Schindler
Star Wars
E.T. - O Extraterrestre

Todo o espetáculo da noite foi muito empolgante, a platéia vibrava, alguns infelizmente estavam tão empolgados que aplaudiam até em momentos errados (2 ou 3 vezes), mas tudo bem, isso não apaga o brilho e glamour da noite. Mas algo especial e muito divertido aconteceu no fechamento, onde, com a trilha de Guerra nas Estrelas as luzes reduzem para a aparição de um novo regente que era ninguém menos que o próprio Darth Vader empunhando seu sabre de luz vermelho no lugar da baqueta e com gestos hilários conduzia a orquestra. Ao final o maestro Minczuk volta, também com seu sabre de luz, azul, e numa rápida brincadeira desafia Darth Vader.
Foram todos muito aplaudidos no lindo, histórico e recém reformado Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Momentos que tenho orgulho de dizer que sou carioca.

Darth Vader regendo a OSB (fotografia Rodrigo Nascimento)

Só por curiosidade, na noite de domingo (23/05/2010) no programa Fantástico da rede Globo, foi exibida uma reportagem com o maestro da OSB, Roberto Minczuk, falando sobre uma descoberta durante a reforma no TMRJ.
“O teatro centenário estava sem brilho. No alto da fachada, um enfeite escurecido pelo tempo e a poluição guardava uma curiosidade: uma partitura com notas quase apagadas.
Agora, iluminada por folhas de ouro, transcrita para o papel e tocada no piano, a música voltou do passado.
Os maestros reconheceram o início do Hino Nacional, mas não na versão que estamos acostumados a cantar e sim na original, composta por Francisco Manuel da Silva, com inspiração na ópera italiana e notas tão agudas que tornam a música muito difícil de ser cantada.”
Quem quiser pode ver a reportagem inteira no site da globo entrando no link ao lado: Encontrada partitura com versão original do Hino Nacional

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Peristalse Cerebral














(Freak - Silverchair)

Servirei nesta mesa sináptica
com este prato recheado de facas,
fomes, engargantadas sedes.
Minha digestão ataca olhos vibrantes,
cérebros dissecantes,
transita corações gástricos,
impulsiona tubulares forças desvairadas
explodindo em ares pulmonares,
nauseando o que ficou desmistificado,
absorvendo mesmo o desejo de expelir.
Gritante, extrínseco, arrogante, impetrante
almoço na casa de quem dera...
Ao som das tardes
inconscientes medulares,
persistentes movimentos ofício,
declaradas injúrias derrubadas,
sustentadas em corpo modular.
Simples peristalse cerebral.


(Bruno Tadeu Lopes)

Imagem: Modelo Lorreine Von Jam (Josep Alfaro Photography)

sexta-feira, 26 de março de 2010

SONHOS D’ALVORECER


A cada passo que dou aumenta a espiral.
A cada pensamento se abre um sentimento.
Ao argumento a dúvida que te corrompe.
Se eu quero voar não me basta abrir os braços.
Em um gesto singelo eu quero pairar.
Amor é a vista aqui do alto.
O sol no horizonte que parece esfriar,
no céu já aquece corações.
As pétalas de rosa aqui são mais leves.
O azul do firmamento já perde sua tristeza
vindo o amarelo do fogo queimando todo seu anil.
E eu fico em paz.
Mas não é isso.
No seu vazio encontro a falta que se faz
do tempo que se fecha
e não posso chorar tanto
quanto esta tempestade.
Se você soubesse a força dos ventos
Lutaria junto a mim.
Mas não...
Você será mais forte que estas tormentas
e quando realçar sua paz
ficará bem,
Voando ao pôr-do-sol
que com sua beleza
fará lamentar mais um dia que se acaba.

(Bruno Tadeu Lopes-18.07.2007)

quarta-feira, 10 de março de 2010

Anúncio Chanel com o poema Day Dream



(...)Sonhos aprisionados/nessa torre/ilha/correm soltos/mar de marfim/por dentro./ Dedicar cada dia/entre tantos/inúteis momentos/a refinar/cada gesto palavra cor/ou sentimento./Nadar no vazio alheio/movidos/por nosso sonho/claro e tácito/acordar comovido/da mente em movimento./Nesse castelo, nossa praia/essa coragem nossa/sua presença acende./Um mundo raro/um sonho em claro/doce recheio/sem resposta.
Sonhamos/vida(...)

O vídeo exibido é do anúncio Chanel com o poema Day Dream de Frederico Barbosa e com a atriz Keira Knightley sendo modelo de Chanel's perfume Coco Mademoiselle. O poema foi utilizado sem autorização do autor.

Frederico Barbosa é poeta e crítico literário brasileiro. O poema Day Dream é de seu segundo livro, Nada Feito Nada (1993). O livro ganhou um dos mais importantes prêmios de literatura do país,o Prêmio Jabuti.

DAY DREAM

Esse castelo
o que há de antigo
nosso no ar
vai se construindo
em meio improvável
desatento.

Tantas referências
nossas lentes
fora desse mundo
do vago ralo
da rapidez indiferente.

Nesse nosso castelo
vão circulando, vivos,
tantos Dukes, Claudes, Luchinos
e vários James amigos
nossos companheiros de sempre.

Sonhos aprisionados
nessa torre
ilha
correm soltos
mar de marfim
por dentro.

Dedicar cada dia
entre tantos
inúteis momentos
a refinar
cada gesto palavra cor
ou sentimento.

Nadar no vazio alheio
movidos
por nosso sonho
claro e tácito
acordar comovido
da mente em movimento.
Nesse castelo, nossa praia
essa coragem nossa
sua presença acende.
Um mundo raro
um sonho em claro
doce recheio
sem resposta.

Sonhamos
vida
sempre acordados
um sonho contrário
que se arrasta em brilho
contra a corrente.

segunda-feira, 8 de março de 2010

UM GRITO BRASILEIRO


I GRITO

Ouviram um grito de socorro em um país abalado.
Da classe trabalhadora, quase escrava.
Quando sai de seus barracos o sol não nasce.
Quem disse que há liberdade?
Ó Pátria amada!

O penhor dessa igualdade já foi desfeito.
São só papeis passados, arquivados.
Desafiamos o nosso peito a própria morte.
Só há linha de tiro
Em teu seio seco, ó Liberdade!

Brasil, tu és o meu páis, um sonho intenso.
Não morres, pois a esperança é o que nos resta.

Gigante pela própria natureza devastada.
És desumano, de crimes impunes
E pelo desequilíbrio ambiental mancomunada.
E o teu futuro espelha esse desrespeito.

Entre outras mil,
És em tu,Brasil
Essa desgraça.

Dos filhos deste asfalto esburacado,
Ainda és amada minha Pátria,
Brasil?

II GRITO

Deitado eternamente nesse convênio.
Acordos entre o tráfico armado e a doença viciada.
Diga-me, florão da América, sinceramente.
Este é o Novo Mundo de que tanto falava?

Dó da terra que ao lixo garimpa.
Em teus lixões revela-se mais pobreza.
famílias inteiras dependendo de nossos desejetos
Em campos que não germinam mais flores.
Nossos bosques mendigos abrigam.
Crianças crescendo cedo sem mais amores.

Ó Pátria desrespeitada!
Políticos comprando votos por cesta básica.
Comunidades esperando bondade alheia dissimulando serem atadas.
Quem sabe um dia alguém nos salve,
Salve! Salve!

Proteja-se da justiça cega e armada.
Indolente ao povo que lhe quer bem desejada

Que esta imagem para nossos meninos não seja mais símbolo.
O lábaro que ostenta tantos pecados,
e diga a esta mistura de raças, tão linda
_ Paz no futuro, erros no passado

Entre outras mil,
És em tu, Brasil
Essa desgraça.

Dos filhos deste asfalto esburacado,
Ainda és amada minha Pátria,
Brasil?

(Bruno Tadeu Lopes - 09 de janeiro de 2008.)